O futuro do campo pode ter nome, origem e identidade. E, em Sarapuí, esse movimento já começou com o leite de búfala ganhando protagonismo e ambição de reconhecimento nacional.
No interior de São Paulo, produtores, instituições e o poder público estão unindo forças para conquistar a indicação geográfica do leite de búfala, um selo que pode transformar a atividade em motor de desenvolvimento regional. A iniciativa é conduzida pelo Sebrae-SP, em parceria com o Instituto Federal de Itapetininga, prefeituras e produtores locais.
Na prática, a indicação geográfica (IG) funciona como um certificado de origem: reconhece que um produto possui características únicas ligadas ao território onde é produzido. Mais do que um selo, é uma narrativa de valor — que conecta tradição, técnica e identidade local.
Embora a região já tenha tradição na bubalinocultura, especialmente na produção de queijos e derivados, o movimento ganhou estrutura a partir de 2025. Um dos marcos foi o Festival do Búfalo, que ajudou a dar visibilidade à cadeia produtiva e aproximar produtores e instituições.
A partir desse ponto, o projeto evoluiu para algo mais robusto: o reconhecimento da Cadeia Produtiva Local e, agora, a construção do caminho para a IG. Segundo a consultora do Sebrae-SP, Simone Goldman, o desafio não era produzir mais, mas organizar o que já existe. “A região tem tradição, escala e conhecimento. Faltava estruturar isso para gerar valor de mercado”, resume.
O avanço ganhou impulso com a participação em um edital nacional do Ministério da Educação, voltado à estruturação de indicações geográficas. O projeto da região conquistou o segundo lugar no país, garantindo recursos para um diagnóstico técnico detalhado.
Desde janeiro de 2026, equipes do Instituto Federal percorrem municípios como Sarapuí, Pilar do Sul, Alambari, São Miguel Arcanjo e Itapetininga, coletando dados, ouvindo produtores e mapeando a história da atividade. O objetivo é delimitar a área produtora e reunir as evidências necessárias para o pedido de registro junto ao INPI.
Esse processo também tem um efeito importante: integrar os atores da cadeia. A produção de búfalos é regional, e a futura indicação geográfica deve refletir essa realidade coletiva. Hoje, já existe uma cooperativa estruturada em Sarapuí, mas a expectativa é ampliar a participação de produtores de toda a região.
Um dos ativos mais relevantes é o chamado savoir-faire — o “saber fazer” construído ao longo de gerações. No caso da bubalinocultura, isso envolve manejo dos animais, conhecimento do ambiente e técnicas que garantem qualidade superior aos produtos.
Se aprovado, o selo pode ir além da valorização do leite e seus derivados. A experiência brasileira mostra que produtos com indicação geográfica tendem a atrair turismo, fortalecer o comércio local e impulsionar serviços.
Enquanto o processo avança, a região já se prepara para a segunda edição do Festival do Búfalo, entre 18 e 24 de maio de 2026. A programação deve reunir produtores, especialistas e visitantes em torno de um mesmo objetivo: transformar tradição em valor reconhecido.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Bom Dia






