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2 jan 2026
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Leite em pó concentra metade dos recursos da Conab no RS, beneficiando 22 entidades da agricultura familiar 🥛
Reunião onde o presidente da Conab, Edegar Pretto, anunciou a operação. (Foto: Débora Beina/Divulgação) Leite.
Reunião onde o presidente da Conab, Edegar Pretto, anunciou a operação. (Foto: Débora Beina/Divulgação)

O leite em pó voltou ao centro da política pública de abastecimento no Brasil com uma operação inédita da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que vai movimentar R$ 106 milhões por meio da compra institucional do produto junto à agricultura familiar.

O destaque da iniciativa recai sobre o Rio Grande do Sul, que concentrará cerca de 50% dos recursos totais, beneficiando diretamente 22 cooperativas e associações gaúchas.

O resultado da classificação das propostas foi anunciado nesta semana em reunião conduzida pelo presidente da Conab, Edegar Pretto. A ação integra o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra Institucional, e tem execução imediata. Segundo a estatal, o objetivo é duplo: garantir sustentação econômica ao setor leiteiro, pressionado por margens reduzidas e instabilidade de preços, e assegurar alimentos a populações em situação de insegurança alimentar, especialmente aquelas afetadas por eventos climáticos extremos.

Ao todo, a Conab vai adquirir 2,5 mil toneladas de leite em pó, volume equivalente a mais de 20 milhões de litros de leite integral. Pela primeira vez, o edital também incluiu leite em pó de cabra, ampliando o escopo da política e reconhecendo a diversidade produtiva da agricultura familiar brasileira. No total, 40 entidades fornecedoras foram habilitadas em sete estados.

O recorte regional da operação confirma o peso histórico do Sul na cadeia leiteira nacional. Além dos R$ 53 milhões destinados ao Rio Grande do Sul, Santa Catarina receberá R$ 12,5 milhões, enquanto o Paraná contará com pouco mais de R$ 11 milhões. Juntos, os três estados somam 72% do total de recursos da compra institucional de leite em pó, consolidando a região como eixo central da oferta nacional.

Outros estados também foram contemplados, de acordo com a capacidade de processamento e a necessidade de atendimento regional. São Paulo ficará com R$ 11,5 milhões; Alagoas, R$ 11 milhões; Goiás, R$ 4 milhões; e a Paraíba, R$ 3 milhões. Segundo a Conab, a distribuição busca equilibrar logística, produção local e demanda social, evitando concentração excessiva em poucas áreas.

De acordo com o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto, a operação só foi possível graças à articulação entre diferentes áreas do governo federal. Ele destacou o papel do Congresso Nacional na aprovação de suplementação orçamentária para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Na avaliação do dirigente, trata-se de uma ação estruturante, que conecta política agrícola e política social.

O leite em pó adquirido será destinado principalmente à composição de cestas de alimentos distribuídas a famílias em situação de vulnerabilidade social, além de comunidades atingidas por enchentes e outros desastres climáticos. No caso do Rio Grande do Sul, ainda em processo de reconstrução após eventos extremos, a medida assume caráter estratégico tanto do ponto de vista social quanto econômico.

Especialistas do setor avaliam que a compra pública ajuda a reduzir a pressão sobre os estoques industriais e cria um piso de demanda em um momento de fragilidade do mercado. Ao garantir escoamento da produção, a operação contribui para evitar quedas abruptas nos preços pagos ao produtor, assegurando previsibilidade e continuidade da atividade em regiões onde o leite é base da economia rural.

Outro ponto destacado é o fortalecimento das cooperativas e associações da agricultura familiar. Ao priorizar esse modelo, a Conab direciona os recursos diretamente a quem produz, estimulando a organização coletiva, a agregação de valor e o desenvolvimento regional. Na prática, o leite em pó passa a funcionar como instrumento de política pública, conectando renda no campo, abastecimento urbano e segurança alimentar.

Para analistas, a iniciativa também sinaliza uma retomada do papel do Estado como indutor de equilíbrio em cadeias sensíveis, como a do leite. Em um cenário marcado por volatilidade climática, custos elevados e desafios logísticos, a compra institucional surge como uma ferramenta de estabilização, com impacto que vai além do curto prazo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal O Sul

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