ESPMEXENGBRAIND
25 ago 2026
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🔬 Meta-análise reúne dezenas de pesquisas e aponta um ganho que muitos produtores ainda ignoram.
cocho
🐄 Um detalhe na fermentação ruminal pode estar custando litros de leite ao produtor sem que ele perceba.

O aumento da produção leiteira tem um preço fisiológico. Para sustentar vacas de alta produção, as dietas precisam ficar mais densas em energia — o que, na prática, significa mais carboidratos fermentáveis no cocho.

O problema é que esse mesmo recurso que garante litros a mais também é o que mais desestabiliza o ambiente ruminal.

Quando a produção de ácidos no rúmen supera a capacidade do animal de utilizá-los e absorvê-los, o pH cai. E é justamente aí que mora o gargalo invisível de muitos sistemas de alta produção: um pH baixo compromete a atividade das bactérias responsáveis pela digestão da fibra, reduzindo a eficiência com que a vaca converte alimento em leite.

É nesse ponto do processo — dentro do rúmen, antes de qualquer resultado aparecer no tanque — que a cultura de levedura tem ganhado espaço como ferramenta nutricional.

Segundo Ivens Haponiuk, especialista em Nutrição de Ruminantes da Vaccinar Nutrição Animal, o produto não deve ser confundido com qualquer derivado de fermentação: cepa, meio de fermentação, processo produtivo e perfil metabólico final fazem parte da tecnologia e explicam por que os resultados variam entre produtos.

O que muda dentro do rúmen

Um estudo citado por Haponiuk avaliou vacas submetidas a dietas com diferentes concentrações de amido e observou que a suplementação com cultura de levedura reduziu a concentração de lactato nas condições de maior desafio fermentativo, aumentou o pH médio do rúmen e diminuiu o tempo em que o pH permaneceu abaixo de 6,0 — o limiar associado a quadros de acidose subclínica.

O efeito não se limita à estabilização do pH. Entre os ácidos graxos voláteis produzidos na fermentação, o propionato tem papel central por ser um dos principais precursores de glicose nos ruminantes: depois de absorvido, participa da gliconeogênese hepática e fornece glicose à glândula mamária, onde é usada principalmente para sintetizar lactose — componente diretamente ligado ao volume de leite produzido.

As culturas de levedura também podem favorecer populações bacterianas que utilizam o lactato, como Megasphaera elsdenii e Selenomonas ruminantium, ajudando a evitar seu acúmulo no rúmen.

Os números por trás da promessa

Quando reunidos, os estudos sobre o tema mostram uma resposta produtiva consistente. Uma meta-análise que reuniu 36 estudos e 69 comparações com uma cultura comercial de levedura registrou aumento médio de aproximadamente 1,18 kg de leite por vaca ao dia, além de ganhos próximos de 60 g/dia de gordura e 30 g/dia de proteína do leite.

Em condições brasileiras, os resultados seguiram a mesma direção. Vacas Holandesas em meio de lactação, suplementadas com 7 g/vaca/dia de cultura de levedura, produziram em média 28,04 kg de leite/dia, contra 26,78 kg/dia no grupo controle — uma diferença de 1,26 kg por vaca ao dia. A produção de gordura passou de 1,04 para 1,11 kg/dia, e a de proteína, de 0,90 para 0,94 kg/dia.

Um detalhe chama atenção nesse estudo brasileiro: os percentuais de gordura e proteína no leite não aumentaram de forma significativa. O ganho apareceu na quantidade total de sólidos produzidos por vaca ao dia — um indicador que pesa diretamente sobre a eficiência produtiva do sistema, e não apenas sobre a composição do leite.

Uma peça do quebra-cabeça, não a solução isolada

Os resultados não significam que a cultura de levedura substitua os fundamentos da nutrição de ruminantes. Qualidade do volumoso, consumo de matéria seca, equilíbrio entre fibra e carboidratos fermentáveis, manejo de cocho e formulação adequada continuam sendo determinantes para qualquer resposta produtiva. A tecnologia funciona como parte de uma estratégia nutricional mais ampla, capaz de aumentar o aproveitamento da dieta já formulada.

É com essa lógica que a Vaccinar incorporou a cultura de levedura entre as tecnologias do TECNOLEITE HD+, núcleo para vacas em lactação da empresa — um produto pensado justamente para atuar sobre a eficiência do ambiente ruminal em sistemas de alta produção, onde o que acontece dentro do rúmen tende a pesar tanto quanto o que chega ao cocho.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Kdea 360

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