Marcas da SanCor valem quase tanto quanto suas seis fábricas juntas, segundo revelou o processo de liquidação da histórica cooperativa láctea argentina.
O dado expõe uma dimensão pouco discutida da crise da empresa: o peso econômico de ativos que não têm existência física, mas que podem valer tanto — ou quase tanto — quanto galpões, máquinas e linhas de produção inteiras.
A proposta de liquidação do patrimônio da SanCor organiza os bens em sete lotes: seis correspondem às plantas industriais, com suas instalações e maquinários, e o sétimo reúne exclusivamente as marcas da cooperativa. As seis fábricas foram avaliadas em US$ 27,4 milhões. As marcas, sozinhas, alcançaram US$ 24,7 milhões — uma diferença de apenas US$ 2,7 milhões entre os dois conjuntos de ativos.
O advogado Eladio Oronel, do escritório Pedrotti Abogados, analisou essa particularidade do processo judicial. Segundo ele, as marcas têm um valor de mercado quase equivalente ao de seis plantas industriais juntas, o que evidencia a importância econômica que esse tipo de ativo pode alcançar dentro de uma empresa, mesmo em meio a uma crise financeira severa.
Diferente de um imóvel, um veículo ou uma máquina, uma marca não tem existência física — mas pode ser objeto de direitos de propriedade e integrar o patrimônio de uma companhia como qualquer outro bem. Oronel resume: não se veem, não se tocam, mas também fazem parte do patrimônio de uma empresa. Nessa mesma categoria de ativos intangíveis entram ainda patentes e modelos de utilidade ligados à inovação e à identificação comercial.
Na Argentina, as marcas são reguladas pela Lei 22.362, cuja função é distinguir produtos ou serviços de outros similares no mercado. Uma marca pode ser formada por palavras, desenhos, imagens, embalagens ou outros sinais que permitam identificar um produto frente à concorrência. Para Oronel, o registro é o que garante a titularidade e protege os direitos de uso comercial — quem tem um negócio e ainda não registrou sua marca deveria fazer isso o quanto antes, justamente para assegurar essa propriedade.
O caso SanCor mostra que o valor de uma empresa láctea não se limita à sua capacidade produtiva ou à sua infraestrutura industrial. O reconhecimento comercial, a identidade dos produtos e a trajetória de mercado também compõem o patrimônio — e podem se sustentar mesmo quando a empresa que os construiu atravessa uma falência. As plantas e as marcas seguem agora o mesmo processo de liquidação, mas representam naturezas de ativo distintas, cujo valor real só será confirmado quando forem, de fato, colocadas à venda.
*Produzido pela eDairyNewsBr, com informações publicadas por eDairyNewsEs






