ESPMEXENGBRAIND
2 jan 2026
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📌 Tarifas de importação voltam a valer para carnes e leite no México, afetando Brasil e Europa e reforçando a produção local.
🧭 Com o Plan México, o governo reativa tarifas de importação e encerra isenções criadas para conter a inflação.
🧭 Com o Plan México, o governo reativa tarifas de importação e encerra isenções criadas para conter a inflação.

As tarifas de importação voltaram ao centro da política econômica do México. O governo federal restabeleceu, na quarta-feira (31 de dezembro de 2025), a cobrança de impostos sobre a entrada de carnes bovina e suína, leite e outros produtos básicos, encerrando um regime de isenções que estava em vigor desde 2022. A decisão foi formalizada por meio de decreto publicado no Diário Oficial da Federação e marca uma inflexão relevante na estratégia comercial do país.

Segundo o governo da presidente Claudia Sheinbaum, a medida integra o chamado Plan México, iniciativa voltada a fortalecer a produção doméstica, reduzir a dependência externa e dar maior previsibilidade aos produtores locais. As tarifas de importação passam a valer exclusivamente para países que não possuem acordos de livre comércio com o México, preservando o acesso preferencial de parceiros estratégicos.

Nesse contexto, Estados Unidos e Canadá seguem exportando sem tarifas ao mercado mexicano, em função do USMCA, acordo que rege o comércio regional da América do Norte. Já países como Brasil e membros da União Europeia figuram entre os principais impactados pela mudança, uma vez que dependem das regras gerais de importação.

O decreto não detalha os percentuais das novas tarifas de importação, mas, antes da criação das isenções em 2022, os níveis praticados eram considerados elevados. No caso das aves, as alíquotas podiam chegar a 75%, enquanto a carne suína enfrentava taxas de até 20%. A carne bovina seguia padrão semelhante, o que ajuda a dimensionar o potencial impacto da retomada da cobrança.

Além de carnes e leite, o governo mexicano voltou a tributar produtos como arroz em casca, feijão, óleos vegetais, embutidos e linguiças. Permanecem fora da lista, ao menos por ora, frango, ovos, peixes, frutas e vegetais, que seguem isentos. A seleção reforça o caráter estratégico da medida, direcionada especialmente à pecuária e a segmentos considerados sensíveis da cesta básica.

De acordo com autoridades mexicanas, a decisão foi tomada após análises sobre a evolução das pressões inflacionárias e, sobretudo, sobre o crescimento acelerado das importações provenientes de países sem tratados comerciais bilaterais. Na avaliação do governo, esse fluxo vinha comprometendo a competitividade da produção nacional, especialmente em cadeias como carnes e lácteos.

A retomada das tarifas de importação representa uma guinada em relação à trajetória das últimas décadas, período em que o México adotou uma política de ampla liberalização comercial. Agora, o discurso oficial enfatiza a necessidade de equilíbrio entre abertura econômica e proteção da base produtiva local, em linha com demandas históricas do setor agropecuário.

O decreto também prevê períodos de transição para mitigar impactos imediatos. Importadores que firmaram contratos ao longo de 2025 poderão manter a isenção tarifária até 31 de março de 2026. Já contratos assinados antes desse período garantem o benefício até 31 de março de 2027, oferecendo um horizonte de adaptação para empresas e cadeias logísticas.

A medida ocorre pouco tempo depois de outra decisão relevante. Duas semanas antes, o Congresso mexicano aprovou novas tarifas de importação sobre produtos asiáticos. Desde 1º de janeiro, o país passou a cobrar impostos que variam de 5% a 50% sobre mais de 1.400 categorias de mercadorias originárias de países da Ásia sem acordo comercial com o México, reforçando o movimento de revisão da política tarifária.

Segundo análises divulgadas pela imprensa internacional, o objetivo central do decreto é “favorecer fornecedores locais”, atendendo a pressões crescentes de produtores mexicanos. Esses grupos vinham argumentando que a concorrência externa, intensificada após as isenções de 2022, colocava em risco a viabilidade econômica da pecuária nacional.

Os dados de comércio corroboram essa percepção. Entre 2022 e 2024, o fim das tarifas alterou significativamente o fluxo de importações. No segmento de carne suína, o Brasil ampliou sua presença no mercado mexicano, com embarques superiores a 5 mil toneladas mensais ao longo de 2023. No setor avícola, as exportações brasileiras de frango também ganharam fôlego após maio de 2022, quando as tarifas de importação foram zeradas.

Com a retomada da cobrança, o México envia um sinal claro ao mercado internacional: a prioridade, agora, é recompor margens internas, fortalecer produtores locais e reduzir a exposição a choques externos. Para exportadores de carnes e lácteos, especialmente da América do Sul e da Europa, o novo cenário exigirá ajustes rápidos de estratégia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Poder 360

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