Silemg aponta que 2023, que teve alto volume de importação, foi muito desafiador também para produtores de leite.
Minas Gerais
Indústria de laticínios em MG aposta em maior consumo com melhora do cenário econômico | Crédito: Adobe Stock
Em 2023, o setor lácteo de Minas Gerais e do Brasil enfrentou diversos desafios.

No Estado, que é o maior produtor nacional de leite, além do aumento desenfreado das importações, o clima mais seco e o consumo enfraquecido interferiram no desempenho. Porém, para 2024, a expectativa é positiva.

A queda da taxa de juros, o aumento dos empregos e a inflação mais controlada favorecem o cenário econômico, contribuindo, assim, para um maior consumo. Além disso, no dia 1º de fevereiro entrou em vigor o Decreto 11.732/2023, de 18 de outubro de 2023, que visa estimular a venda de leite in natura nacional. Dessa forma, as estimativas são de um ano de melhor desempenho.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg), Guilherme Abrantes, 2023 foi desafiador tanto para a indústria mineira de lácteos como para os produtores rurais.

“De fato, 2023 foi um ano difícil, com um mercado consumidor travado. Isso, consequentemente, afeta os preços do produtor. Então, foi um ano desafiador para todos os lados. Tivemos ainda um clima mais seco, que afetou a alimentação do rebanho. Também houve aumento das importações, impactando os preços”, avalia.

Diante de um cenário desfavorável, a produção de leite do Estado ficou em torno de 9 bilhões de litros, volume que vem caindo desde 2021, quando Minas Gerais produziu 9,6 bilhões de litros.

A indústria láctea de Minas Gerais teve que sentar-se e olhar muito para os negócios, planejar e, assim, assegurar o desempenho. Foi um ano de grande dificuldade para a indústria. Mas, acreditamos que 2024 será um ano bem melhor”, disse Abrantes.

Expectativa é de um ano mais favorável para o setor lácteo

Conforme o presidente do Silemg, fatores como a queda dos juros irão favorecer a renda dos consumidores e resultar em aumento do consumo de lácteos. Isso é importante tanto para a indústria como para o produtor rural de leite.

Outro fator que será importante é a entrada em vigor do Decreto 11.732/2023. Valendo desde 1º de fevereiro, ele alterou a aplicação dos créditos presumidos de PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no âmbito do Programa Mais Leite Saudável.

Dessa forma, laticínios ou cooperativas que compram leite no Brasil poderão ser beneficiados com até 50% dos créditos presumidos. Para isso, é preciso estar cadastrado no Programa Mais Leite Saudável. Quem não estiver cadastrado pode ter direito a 20% do benefício fiscal. Assim, a expectativa é que as importações caiam, promovendo, então, a valorização do leite nacional.

A iniciativa é avaliada como positiva e deve inibir as importações, gerando, então, mais demanda pelo produto nacional.

“Com o decreto, que favorece quem compra o leite produzido em território nacional, a expectativa é que as compras das indústrias se voltem para o mercado interno. Então, a expectativa é que diminua a entrada do leite de países vizinhos e que cresça a demanda pelo nacional. Também esperamos que haja um aumento do consumo interno. Assim, com certeza haverá melhora nos preços para o produtor”.

Inovação

Conforme Abrantes, mesmo sem previsão de investimentos em novas plantas industriais em Minas Gerais, as indústrias lácteas seguem investindo na melhoria da qualidade, na inovação e na diversificação dos produtos.

“A indústria láctea de Minas Gerais segue investindo na diversificação e inovação dos produtos. Não há indústria que inove mais no mercado alimentício do que a láctea. Há uma preocupação em disponibilizar para o mercado consumidor alimentos mais saudáveis, por isso, há uma melhoria contínua da qualidade dos produtos e na criação de novos. O consumidor é muito exigente e para a indústria permanecer no mercado, ela precisa investir”.

Preços dos lácteos sobem em janeiro

Conforme os dados do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite (CILeite), os preços dos lácteos no mercado atacadista registraram elevação em janeiro. A expectativa de desaceleração das importações, somada ao baixo volume de estoques para a época e produção relativamente fraca, deu sustentação aos preços. A aproximação da entressafra brasileira foi mais um fator de alta.

Em Minas Gerais, o leite spot foi cotado a R$ 2,29 em janeiro, superando, então, em 12,6% o valor praticado em dezembro. Já na comparação com janeiro de 2023, houve queda de 18,6%.

O litro do leite UHT chegou a R$ 3,97, alta de 5,9% sobre dezembro. O preço da muçarela, R$ 28,33 o quilo, aumentou R$ 4,2%. O leite em pó teve o preço reajustado em 8,2%, sendo o quilo cotado a R$ 27,84.

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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