Uma medalha pode mudar o destino de um queijo — e de quem o produz. No Mundial do Queijo, Minas Gerais transformou reconhecimento em protagonismo, consolidando sua posição como potência no setor lácteo brasileiro.
No evento, realizado em São Paulo, o estado conquistou 172 das 567 medalhas distribuídas, entre elas 23 Super Ouro, 42 Ouro, 52 Prata e 55 Bronze. O desempenho chama atenção não apenas pelo volume, mas pela diversidade: queijos, doces de leite, iogurtes e manteigas foram premiados em um universo de 2,7 mil produtos avaliados por cerca de 300 jurados.
A participação no Mundial do Queijo tem efeito direto na evolução dos produtores. Segundo a Emater-MG, o concurso funciona como uma vitrine técnica e comercial: além do reconhecimento, os participantes recebem avaliações que orientam melhorias contínuas. Para o mercado, o impacto é imediato — produtos premiados tendem a ganhar visibilidade, justificar preços mais altos e acelerar vendas.
Entre os destaques, o Laticínios Lejane, de Aiuruoca, conquistou Super Ouro com o Queijo Minas Meia Cura, além de outras quatro medalhas. Com menos de três anos de mercado, a empresa aposta em uma combinação estratégica: escala industrial com identidade artesanal. O resultado reforça um movimento crescente no setor — produtos autorais com padrão consistente.
Em Araxá, o produtor Alexandre Honorato, da Fazenda Só-Nata, também alcançou o topo com o queijo Minerim, de casca florida e 60 dias de maturação. Ainda fora da linha comercial, o produto já demonstra potencial de mercado. O caso ilustra um ponto crítico: inovação e diferenciação podem nascer antes mesmo da escala, funcionando como teste de valor percebido.
Na região da Canastra, a tradição familiar segue competitiva. José Antônio de Faria conquistou Super Ouro com um queijo de 15 dias de maturação, produzido em pequena escala. Para a família, já na sexta geração, a premiação não apenas valida a qualidade, mas amplia oportunidades: turismo rural, fortalecimento de marca e agregação de valor.
O padrão que emerge do Mundial do Queijo é claro: qualidade consistente, identidade regional e narrativa de origem estão cada vez mais alinhadas com o que o consumidor busca. Para pequenos e médios produtores, as medalhas funcionam como um selo de confiança que reduz barreiras de entrada em novos mercados.
Mais do que um ranking, o Mundial do Queijo atua como um mecanismo de posicionamento. Minas Gerais não apenas venceu em números — reforçou um modelo competitivo baseado em tradição adaptada, inovação incremental e leitura precisa do mercado.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário do Comércio






