O Parmigiano Reggiano está no centro de uma preocupação que vai muito além da produção de queijo.
As ondas de calor que atingem a Itália neste verão de 2026 transformaram um dos produtos mais tradicionais do país em símbolo dos desafios que o clima extremo impõe à cadeia leiteira.
A frase que resume esse momento veio de Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre. “Não queremos ser a última geração a comer Parmigiano Reggiano”, afirmou o executivo ao comentar os efeitos das temperaturas que ultrapassam os 40°C sobre uma produção construída ao longo de séculos.
O impacto começa nas fazendas. Durante os períodos de calor intenso, as vacas comem menos, sofrem mais estresse térmico e reduzem a produção de leite. Segundo representantes do setor, essa queda pode chegar a 10%, afetando diretamente a matéria-prima necessária para fabricar um queijo que segue regras rigorosas de produção.
A situação ganha outra dimensão porque o Parmigiano Reggiano possui Denominação de Origem Protegida (DOP). As vacas devem ser alimentadas com forragens produzidas na área autorizada pela certificação, mas a escassez de chuvas compromete a produção de pastagens e feno, aumentando a pressão sobre todo o sistema produtivo.
Os efeitos continuam depois que o queijo deixa a queijaria. Nos armazéns onde milhares de rodas permanecem em maturação por pelo menos 12 meses, manter as condições adequadas passou a exigir muito mais energia. Segundo o setor, o consumo aumentou cerca de 30% durante as recentes ondas de calor, levando à necessidade de investir em refrigeração, isolamento térmico e geração de energia renovável.
Para Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, as mudanças climáticas representam um dos maiores desafios para o futuro da produção. Ele afirma que o setor já trabalha na adaptação das fazendas às novas condições, embora reconheça que os eventos extremos se tornaram cada vez mais frequentes.
A preocupação também tem dimensão econômica. O Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano, e mais da metade da produção é destinada ao mercado internacional, tendo os Estados Unidos como principal destino. Em um cenário de incertezas no comércio global e possibilidade de aumento das tarifas americanas sobre produtos europeus, a pressão sobre um dos maiores símbolos da gastronomia italiana torna-se ainda maior.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Comunità Italiana






