O excesso de oferta de leite tornou-se o principal fator de pressão sobre o mercado global de lácteos e deve atrasar a recuperação dos preços até o fim de 2026.
A avaliação consta no relatório Perspectivas 2026, da StoneX, elaborado a partir das análises de Inteligência de Mercado lideradas por Nate Donnay.
Segundo a análise, o setor entra no terceiro trimestre de 2026 com um desequilíbrio entre produção e demanda. Mesmo diante da queda das cotações internacionais, os produtores não reduziram rapidamente os volumes produzidos, principalmente devido à redução dos custos de alimentação animal e à expansão da capacidade de processamento.
O resultado foi uma oferta mundial em ritmo elevado. No fim de 2025, a produção global avançou cerca de 5,5% na comparação anual, um crescimento considerado elevado para o histórico do setor.
Esse cenário prolonga o período de ajuste e mantém os preços internacionais pressionados durante boa parte do terceiro trimestre. Para a StoneX, o reequilíbrio entre oferta e demanda deve ocorrer apenas mais próximo do encerramento de 2026.
Produtores sentem impacto nas principais regiões exportadoras
Nos Estados Unidos, um dos maiores fornecedores mundiais de lácteos, a queda nos preços de produtos como manteiga e queijo reduziu as margens dos produtores para níveis abaixo do ponto de equilíbrio, aumentando a pressão sobre a rentabilidade das fazendas.
Na União Europeia, os preços pagos pelo leite também recuaram de forma significativa. Apesar dessa queda, a produção deve continuar crescendo até meados de 2026 devido a um ciclo mais tardio de partos, dificultando uma redução mais rápida da oferta.
A Nova Zelândia também contribui para o cenário de maior disponibilidade global. A produção do país cresceu 4,2% nos primeiros meses da temporada, mesmo diante de desafios climáticos. O avanço foi acompanhado por um uso recorde de palm kernel expeller, coproduto do processamento do óleo de palma utilizado na alimentação animal.
O movimento indica que os produtores neozelandeses buscaram sustentar os volumes produzidos, mantendo o abastecimento do mercado internacional.
Demanda mais fraca aumenta desequilíbrio
Enquanto a oferta segue elevada, o consumo não acompanha o mesmo ritmo. A demanda por queijo na Europa, que vinha funcionando como um dos pontos de sustentação do mercado, perdeu força nos últimos meses.
O mesmo comportamento foi observado para produtos como manteiga e gordura anidra de leite (AMF). No mercado de leite em pó desnatado, as importações globais apresentam tendência de queda há dois anos, indicando estoques mais confortáveis ou menor necessidade de compras dos principais importadores.
Com consumidores mais cautelosos e maior disponibilidade de produtos, o mercado enfrenta uma combinação de produção elevada e demanda menos dinâmica.
Reflexos para o Brasil e cenário internacional
No Brasil, o ambiente externo influencia principalmente as perspectivas de preços e oportunidades de exportação. A maior disponibilidade global de leite tende a limitar uma recuperação mais consistente das cotações internacionais.
Ao mesmo tempo, produtores acompanham o comportamento dos custos de produção e do consumo interno em um cenário marcado por margens mais apertadas.
Além dos fundamentos de oferta e demanda, o setor também observa os impactos das tensões no Oriente Médio. De acordo com a StoneX, aproximadamente 6% do comércio internacional de lácteos passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica afetada pelas tensões envolvendo o Irã.
A instabilidade elevou a complexidade logística, com aumento de custos relacionados a fretes e seguros marítimos. O impacto aparece principalmente nos países do Golfo Pérsico, onde o consumo de lácteos foi afetado pela maior dificuldade operacional.
Por outro lado, a interrupção das exportações iranianas de leite em pó retirou parte da oferta disponível no mercado internacional, funcionando como um fator de compensação parcial diante da redução da demanda regional.
Até o fim de 2026, a expectativa da StoneX é de um mercado ainda em processo de ajuste, com produtores de diferentes regiões convivendo com preços pressionados e margens reduzidas.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil






