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27 abr 2026
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Dinâmica produtiva e combustíveis mais caros mantêm lácteos em alta 📈
Oferta reduzida e aumento de custos explicam pressão contínua nos lácteos 🧾
Oferta reduzida e aumento de custos explicam pressão contínua nos lácteos 🧾

O preço do leite voltou a subir em 2026 e consolidou um movimento de alta que tende a persistir no curto prazo.

O avanço de 11,7% no leite longa vida em março, segundo o IPCA, sintetiza um ajuste simultâneo de oferta e custos ao longo da cadeia, com impacto direto também sobre derivados como queijo, iogurte e leite em pó.

O principal vetor dessa alta está na redução da produção. Após um período de preços baixos em 2025, produtores comprimiram investimentos e diminuíram a oferta. Esse ajuste aparece agora de forma clara: a captação de leite caiu 3,6% no início do ano, com recuos em estados relevantes como Minas Gerais, Paraná e Goiás. Com menos matéria-prima disponível, a indústria passou a pagar mais pelo leite, acelerando o repasse ao consumidor.

A sazonalidade reforça esse movimento. O início do ano, marcado pela transição para o outono-inverno, reduz a qualidade das pastagens devido à menor incidência de chuvas. Isso eleva os custos de alimentação do gado e limita a produtividade, consolidando um ambiente de menor oferta. O resultado é uma recomposição de preços ao longo da cadeia, do produtor ao varejo.

Além dos fatores internos, o custo logístico ganhou peso adicional. A alta dos combustíveis, influenciada pelo cenário internacional e pelos impactos da guerra no Irã sobre o mercado de petróleo, elevou o diesel em 13,9% e a gasolina em 4,59% em março. Em uma cadeia dependente do transporte rodoviário, o aumento do frete foi rapidamente incorporado aos preços dos lácteos.

O encarecimento de insumos também contribui para a pressão. Fertilizantes mais caros afetam a produção de grãos como milho e soja, utilizados na ração do gado, elevando o custo desde a base produtiva. Esse efeito amplia a pressão estrutural sobre o leite, somando-se à restrição de oferta.

No consumo, o leite mantém baixa elasticidade. A substituição ocorre principalmente entre marcas, e não na retirada do produto da cesta, o que sustenta a capacidade de repasse de preços. Esse comportamento se insere em um contexto mais amplo de inflação de alimentos, com alta de 1,94% na alimentação no domicílio em março, a maior desde 2022.

A leitura para a cadeia aponta continuidade da pressão. A ausência de sinais de recomposição relevante da produção, somada à volatilidade de custos, mantém o viés de preços elevados. Há ainda riscos adicionais, como a possibilidade de eventos climáticos que afetem as pastagens e a produtividade.

Sem alívio consistente nos custos, especialmente de combustíveis, ou recuperação mais rápida da oferta, o leite e seus derivados seguem operando como um dos principais vetores de pressão inflacionária no curto prazo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Terra

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