ESPMEXENGBRAIND
24 set 2026
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🤖 O mapa dos equipamentos no país revela uma concentração regional e uma diferença importante entre capacidade e uso.
Ordenha robotizada
💰 O investimento milionário é apenas uma parte da equação: a ocupação dos equipamentos altera bastante o prazo de retorno.

A ordenha robotizada já está presente em 487 unidades de rebanho analisadas em oito estados brasileiros, mas os números mostram que a decisão de investir na tecnologia envolve mais do que instalar equipamentos: escala e ocupação têm peso direto no resultado.

Os dados reunidos em agosto de 2026 por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostram um mercado ainda concentrado. As fabricantes DeLaval e Lely, que forneceram os dados utilizados no levantamento, respondem por 90% dos equipamentos estimados no país.

São cerca de 540 unidades de ordenha automática no Brasil, diante de aproximadamente 50 mil no mundo.

A concentração regional chama atenção. A região Sul reúne 93,6% das unidades da amostra. O Rio Grande do Sul representa 43,9%, Santa Catarina 29,0% e Paraná 20,7%. Fora do Sul, Minas Gerais aparece com 3,1%, Goiás com 1,4%, São Paulo com 1,0%, Bahia com 0,6% e Mato Grosso do Sul com 0,2%.

O perfil predominante também ajuda a entender onde a tecnologia encontrou espaço: propriedades familiares de porte médio, com alta produção por animal, dificuldade para contratar ordenhadores e problemas relacionados à sucessão rural.

O tamanho do rebanho muda a conta

Nas propriedades analisadas, a unidade mediana tinha dois equipamentos e 55,5 vacas em lactação por robô. A produção mediana chegava a 1.977,7 litros por equipamento ao dia e 2.691,9 litros considerando o sistema completo.

A produção por vaca alcançava 36 litros por dia, com média de 12,9 litros por ordenha e 2,8 ordenhas diárias.

O Paraná apresentou a maior produção individual, com 37 litros por vaca ao dia, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 36,8, e Santa Catarina, com 34,3.

Mas um dos resultados mais interessantes do levantamento aparece quando os sistemas são comparados pela forma como utilizam os equipamentos.

Em um dos perfis identificados, cada robô atendia 61 vacas em lactação e produzia 2,2 mil litros por dia. Em outro, a frequência de ordenha era maior, 3,1 vezes por vaca ao dia, mas cada equipamento produzia apenas 1,7 mil litros, atendendo 47,3 vacas.

A diferença mostra que aumentar a frequência de ordenha não significa, isoladamente, maior produção por equipamento. A quantidade de animais atendidos também altera a utilização da capacidade disponível.

Esse tipo de informação é registrado continuamente pelo próprio sistema, permitindo acompanhar indicadores do rebanho e avaliar decisões como ampliar o número de vacas ou instalar novos robôs.

O investimento começa antes do robô

Para estimar o retorno financeiro, o estudo apresentado pela Scot Consultoria considera um investimento teórico de R$ 3 milhões para dois equipamentos.

O valor de referência é de aproximadamente R$ 1,5 milhão por robô, sem incluir obras e instalação. Por isso, o cálculo não representa um orçamento fechado para uma propriedade, mas uma simulação baseada em determinadas condições de produção.

Com dois robôs produzindo 2.691,9 litros por dia, a produção anual chega a 985,5 mil litros. Considerando preço médio do leite de R$ 2,83 por litro e margem de 10% sobre a receita, o payback simplificado seria de 10,7 anos.

A conta muda quando a ocupação dos equipamentos aumenta.

Considerando dois robôs operando na mediana de 2 mil litros por equipamento ao dia, a produção anual chega a aproximadamente 1,4 milhão de litros e o prazo estimado de retorno cai para cerca de 7,3 anos.

Na simulação por estado, o payback ficou em 10,7 anos em Minas Gerais, 10,2 anos no Rio Grande do Sul e 11,3 anos no Paraná, considerando os respectivos preços médios do leite levantados na expedição Ordenha Brasil 2026. A média foi de 10,7 anos.

O próprio levantamento ressalta que a instalação do sistema automático não aumenta, sozinha, a produtividade da propriedade. Nutrição, bem-estar, genética e manejo continuam fazendo parte da equação.

É justamente aí que os números da ordenha robotizada ganham outra dimensão: o equipamento automatiza etapas do processo e gera uma quantidade contínua de dados, mas o resultado econômico depende de como esses recursos são utilizados dentro do sistema produtivo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por SCOT

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