Investimentos lácteos no Paraguai começam a ganhar uma nova dimensão à medida que o país registra aumento na produção e recebe projetos voltados tanto à atividade primária quanto à industrialização do soro de leite.
O movimento envolve Países Baixos e Nova Zelândia, com iniciativas mencionadas nos departamentos de Caazapá e Itapúa. A informação foi apresentada por Erno Becker, presidente da Câmara Paraguaia de Industriais Lácteos (Capainlac).
O momento não é casual. A produção de leite no Paraguai registra um crescimento de aproximadamente 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo Becker. As condições climáticas favoráveis contribuíram para esse avanço, mas o aumento da oferta também passou a pressionar os preços.
É nesse ponto que os novos projetos ganham relevância.
De um lado, investidores dos Países Baixos estão adquirindo terras e animais para estabelecer empreendimentos voltados à produção primária. De outro, um projeto vindo da Nova Zelândia pretende avançar sobre o processamento do soro de leite para produzir proteínas de alto conteúdo destinadas à área da saúde.
São dois movimentos diferentes, mas que aparecem dentro do mesmo desafio: o que fazer quando a produção cresce e o mercado precisa absorver um volume maior de leite?
Do leite ao whey
O projeto ligado à Nova Zelândia coloca o whey protein no centro da nova etapa.
Segundo Becker, está sendo buscada a concretização de uma indústria para processar o soro e produzir proteínas de alto conteúdo para a saúde.
O projeto representa uma mudança importante na forma de aproveitar a matéria-prima láctea. O soro resultante da elaboração de queijos contém proteínas solúveis que podem ser submetidas a processos de concentração e filtragem para a obtenção de ingredientes de maior valor comercial.
A futura indústria, porém, ainda tem pontos que não foram detalhados na informação disponível. Não foram informados a tecnologia que será utilizada, o tipo de concentrado a ser produzido nem a capacidade de processamento.
Também não foram divulgados os nomes das empresas envolvidas nos projetos ou o tamanho dos empreendimentos.
Dois investimentos em diferentes elos da cadeia
Os projetos dos Países Baixos apresentam outra característica.
De acordo com Becker, os investidores estão comprando terras e animais para estabelecer atividades leiteiras no Paraguai. O dirigente relacionou esse movimento às maiores exigências regulatórias enfrentadas pela produção agropecuária na Europa.
Enquanto esse capital mira a produção primária, a iniciativa neozelandesa avança sobre uma etapa industrial.
É justamente essa combinação que torna o movimento relevante para a cadeia: um projeto busca ampliar a produção de leite, enquanto o outro pretende transformar o soro em uma proteína de maior valor agregado.
Caazapá e Itapúa aparecem como os departamentos relacionados às iniciativas, embora a informação disponível não detalhe qual projeto seria instalado especificamente em cada local.
A indústria paraguaia também está em movimento
O interesse estrangeiro chega ao mesmo tempo em que as próprias empresas paraguaias vêm investindo no setor.
Becker destacou a capacidade de inovação da indústria local e avaliou como promissor o nível de investimento de capitais na produção de leite.
O cenário, portanto, reúne crescimento da produção, investimentos locais e interesse estrangeiro.
Mas o aumento da oferta também traz uma pressão concreta: segundo o presidente da Capainlac, a sobreoferta já impacta os preços.
É nesse ambiente que a industrialização ganha espaço como alternativa dentro da própria cadeia.
Transformar uma parcela maior da matéria-prima em produtos e ingredientes diferentes pode ampliar as possibilidades para o leite produzido no país. O projeto de whey protein aponta justamente para esse caminho, levando o soro para uma etapa de processamento voltada à obtenção de proteínas destinadas à saúde.
Ainda faltam informações para medir o tamanho real desses investimentos. Não há, na fonte, valores financeiros, capacidade das futuras unidades ou cronogramas de implantação.
Mas a direção dos projetos já é clara: o Paraguai está atraindo capital para dois extremos da cadeia láctea, justamente enquanto produz mais leite e enfrenta o desafio de administrar essa maior oferta.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairyNews Español






