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20 out 2026
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A discussão sobre ultraprocessados avança nos EUA e coloca processos básicos da indústria láctea sob nova lupa 🔍
ultraprocessados
A Califórnia aprovou um selo, os EUA buscam uma definição e o leite está no meio da conversa. Entenda por quê 🥛

O debate sobre alimentos ultraprocessados ganhou força nos Estados Unidos em meio à preocupação com doenças crônicas e com a saúde das crianças.

O setor lácteo vê nele uma oportunidade de explicar o que o processamento faz pelo leite. O argumento é que processar não é sinônimo de piorar: pasteurização, fermentação e técnicas de conservação existem para garantir segurança e ampliar o acesso.

A pasteurização protege o leite de bactérias nocivas sem comprometer seus nutrientes. A fermentação, que transforma leite em iogurte, kefir e muitos queijos, traz mudanças que favorecem a digestão e a saúde intestinal, além de realçar sabor e textura. É também o processamento que permite reduzir açúcar adicionado e sódio, fortificar produtos e desenvolver versões com mais proteína e menos lactose.

O ponto de atrito está na régua. Quando a classificação de ultraprocessados olha para o grau de processamento e não para a densidade de nutrientes, esses avanços tendem a passar despercebidos. Iogurte, cereais integrais, feijão enlatado e vegetais congelados mostram que o processamento, por si só, não define a qualidade nutricional: pesam a composição, o papel do alimento na dieta e quem vai consumi-lo.

A Califórnia concentra os movimentos mais visíveis. Uma lei de 2023 restringiu vários aditivos, e outra, de 2024, proibiu determinados corantes sintéticos em alimentos escolares. Em janeiro de 2025, o governador Gavin Newsom determinou que órgãos estaduais examinassem os ultraprocessados e ingredientes potencialmente nocivos. Ainda em 2025, a lei Real Food, Healthy Kids Act mandou o Departamento de Saúde Pública identificar e proibir ultraprocessados prejudiciais na merenda.

O passo mais recente veio em setembro de 2026, quando Newsom sancionou a AB 2244, que cria um programa voluntário de certificação “Non-Ultra-Processed Certified”. O estado vai credenciar certificadoras e desenvolver um selo padronizado. Em paralelo, o Departamento de Saúde Pública recebe comentários públicos para definir as categorias que serão restringidas nas refeições escolares. Quem fornece às escolas precisa acompanhar formulações, padrões de compra e a continuidade do acesso a alimentos nutritivos.

No plano federal, FDA e USDA abriram em julho de 2025 um pedido de informações para chegar a uma definição uniforme de ultraprocessado. As Diretrizes Alimentares para os Americanos 2025–2030, divulgadas em janeiro de 2026, recomendam limitar alimentos altamente processados e, ao mesmo tempo, mantêm o laticínio como base de um padrão alimentar saudável. Esse documento orienta programas como o WIC e a merenda escolar.

A defesa do setor passa pela ideia de “alimento como saúde”, que olha para o padrão alimentar completo e não para escolhas isoladas. Nessa lógica, as pessoas mantêm hábitos saudáveis quando os alimentos são saborosos, acessíveis, culturalmente familiares e fáceis de incluir na rotina. Queijo combina com vegetais e grãos integrais, iogurte com frutas, e opções sem lactose ou com menos lactose ampliam o público.

Os argumentos nutricionais têm peso especial na infância. Da gestação até os dois anos, o consumo de laticínios fornece proteína, cálcio, vitamina D, iodo, colina, zinco e vitaminas A e B12. A partir dos seis meses, queijo e iogurte entram como alimentos densos em nutrientes. Ao longo da vida, a ingestão contribui para ossos, massa muscular, função cognitiva e saúde intestinal, efeito atribuído à matriz láctea, em que os nutrientes atuam de forma conjunta.

Para o setor, a tarefa é traduzir esse raciocínio. Isso significa explicar como o processamento melhora a segurança, o prazo de validade e o valor nutricional, além de reduzir o desperdício, em diálogo com escolas, nutricionistas, organizações comunitárias e formuladores de políticas. A disputa, no fundo, é sobre se o critério vai olhar apenas para o processo ou também para o que o alimento entrega.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Foods

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