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15 jul 2026
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🌦️ Entre custos altos e mudanças no clima, a gestão da propriedade se torna decisiva para proteger a rentabilidade do produtor.
pecuária
📉 O preço reagiu, mas despesas operacionais e eventos climáticos continuam limitando o resultado da pecuária leiteira.

A pecuária leiteira brasileira vive um momento em que aumentar a produção deixou de ser o único caminho para melhorar os resultados da fazenda.

Mesmo com o país ultrapassando a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, a rentabilidade dos produtores continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e pela necessidade de tornar cada recurso da propriedade mais eficiente.

Para a médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o desafio atual está em transformar produção em resultado econômico.

“O produtor precisa olhar além do volume produzido”, indica a análise da especialista, ao destacar a importância da gestão da propriedade e da otimização dos recursos disponíveis.

O preço melhorou, mas a margem continua apertada

A recuperação do preço do leite trouxe algum alívio ao produtor, mas ainda não foi suficiente para recompor as margens da atividade.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor chegou a R$ 2,66 por litro em abril de 2026.

O valor representa uma melhora em relação aos meses anteriores, mas permanece abaixo dos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro alcançado em julho de 2022.

Enquanto a remuneração avança lentamente, itens como energia elétrica, mão de obra e suplementação alimentar seguem pressionando os custos operacionais das fazendas.

Na prática, o produtor enfrenta uma equação mais complexa: produzir mais leite exige controle cada vez maior sobre despesas e eficiência.

O clima entra na conta da produção

Além dos custos, o comportamento climático aumenta a pressão sobre os sistemas produtivos.

A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em regiões produtoras, afetando a disponibilidade e a qualidade das pastagens.

Como parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, uma menor oferta de forragem pode reduzir o consumo de nutrientes pelos animais e impactar a produção de leite.

A menor disponibilidade de água e alimento também pode elevar o estresse do rebanho, afetando o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.

A decisão passa pelo manejo da propriedade

Diante desse cenário, a rentabilidade passa a depender de decisões tomadas dentro da fazenda.

Entre as práticas destacadas estão o planejamento da alimentação para períodos de seca, a formação de reservas estratégicas de forragem, o acompanhamento dos indicadores técnicos e financeiros, o controle dos custos de produção e o manejo adequado das pastagens.

Outro ponto citado é a adoção do sistema de pastejo rotacionado, que permite dividir áreas em piquetes e melhorar o aproveitamento das forrageiras.

Segundo a análise apresentada, esse manejo pode contribuir para:

  • aumentar a produção de leite por hectare;
  • melhorar a produtividade por animal;
  • reduzir gastos com alimentação suplementar;
  • aproveitar melhor as pastagens;
  • diminuir custos de manutenção das áreas de manejo.

Infraestrutura deixa de ser apenas investimento operacional

Para Vanessa Amorim Teixeira, investimentos em infraestrutura e tecnologia passaram a fazer parte da estratégia de gestão da propriedade.

O cercamento estratégico das áreas de pastejo é um exemplo citado pela especialista. A estrutura permite organizar o manejo rotacionado, favorece a recuperação das forrageiras e amplia o aproveitamento das áreas disponíveis.

Soluções como cercas elétricas de alta durabilidade também são apontadas como ferramentas que facilitam a implantação do sistema e reduzem a necessidade de manutenção.

Em um cenário de custos elevados e maior instabilidade climática, a competitividade da fazenda leiteira depende cada vez mais da capacidade de administrar recursos, planejar a produção e reduzir vulnerabilidades.

Para o produtor, o desafio deixou de ser apenas produzir mais. O novo objetivo é produzir melhor, com mais eficiência e maior controle sobre cada etapa do sistema produtivo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio

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