Conveniência é o eixo central que orienta o planejamento das empresas de perecíveis para 2026, em um cenário marcado por consumidores mais atentos à saúde, ao valor agregado e à praticidade no dia a dia.
A combinação entre inovação de portfólio, eficiência operacional e relações mais profundas com o varejo aparece como consenso entre companhias que atuam em categorias sensíveis a preço, giro e percepção de qualidade.
Executivos de Danone, Papapá e Seara descrevem 2026 como um ano de aceleração sustentada, no qual proteínas, produtos funcionais e soluções convenientes deixam de ser apostas táticas e passam a estruturar decisões estratégicas de médio prazo. A leitura comum é que o crescimento dependerá menos de volume e mais de relevância por ocasião de consumo.
Na Danone, o planejamento para 2026 está organizado em quatro pilares: fortalecimento das marcas, avanço da digitalização, aceleração da agenda de sustentabilidade e regionalização do portfólio. A empresa vê a conveniência associada à nutrição como um vetor essencial para superar o desempenho médio do mercado.
Segundo Roberto Carrelas, vice-presidente de vendas e trade da Danone Brasil, o principal desafio recente foi equilibrar eficiência operacional com inovação e velocidade de execução. Para 2026, a companhia pretende simplificar estruturas, aprimorar processos e reforçar uma cultura interna orientada à agilidade. A expectativa é ampliar a relevância nas categorias em que atua, mantendo foco em valor compartilhado ao longo da cadeia, do produtor ao consumidor.
No relacionamento com o varejo, a Danone prioriza projetos conjuntos de crescimento de categoria, personalização por formato e perfil de shopper, além de maior troca de dados e insights para otimizar sortimento e jornada de compra. Tendências como alimentos funcionais, proteinados, plant-based e soluções convenientes seguem guiando lançamentos, assim como critérios ambientais e sociais nas decisões estratégicas. A empresa sinaliza uma agenda robusta de novidades conectadas à saúde digestiva, nutrição vegetal e praticidade.
A Papapá entra em 2026 após um crescimento de 70% em 2025, o que trouxe complexidade adicional à operação. Para a companhia, o desafio central tem sido sustentar o ritmo de expansão com governança e eficiência. A troca de ERP e a seniorização do time aparecem como movimentos estruturantes para dar suporte ao crescimento.
Leonardo Afonso, CEO da Papapá, afirma que a empresa espera dobrar de tamanho novamente em 2026. Estão previstos investimentos de cerca de 7 milhões para aumento de escala em linhas principais, com o objetivo de melhorar rentabilidade e ampliar o acesso dos produtos no ponto de venda. A estratégia inclui contratações estratégicas e uso intensivo de dados para compreender melhor a jornada do consumidor.
No varejo, a Papapá pretende estreitar parcerias, ampliar a presença nacional, diversificar o mix por região e atuar de forma mais integrada na comunicação e visibilidade em loja. A conveniência, combinada a rótulos limpos, ausência de adição de açúcares e ingredientes reconhecíveis, permanece como critério-chave para decisões de portfólio. Novos produtos devem atender necessidades ainda não cobertas pela linha atual, acompanhando o crescimento do consumidor infantil ao longo do tempo.
Já a Seara enxerga 2026 como um ano especialmente favorável, impulsionado por eventos de grande audiência e pelo fortalecimento do consumo dentro de casa. Para a companhia, proteínas, conveniência e indulgência continuam sendo categorias estratégicas.
Rafael Palmer, diretor de marketing de alimentos preparados da Seara, avalia que 2025 reforçou a importância da flexibilidade e do foco no consumidor diante de mudanças rápidas nos hábitos de compra. Para 2026, a empresa planeja avançar na eficiência operacional, ampliar o portfólio de maior valor agregado e atuar de forma ainda mais próxima do varejo.
A Seara destaca iniciativas conjuntas que combinam inovação e execução no ponto de venda, como projetos que elevaram significativamente o giro em lojas participantes e lançamentos desenhados para eletrodomésticos específicos, como a linha Air Fryer. Tendências como snacktime e novas ocasiões de consumo seguem influenciando o desenvolvimento de produtos.
No conjunto, o planejamento das empresas de perecíveis para 2026 aponta para um reposicionamento claro: conveniência deixa de ser atributo complementar e se consolida como linguagem central entre indústria, varejo e consumidor.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de SA+






