A manteiga é um dos produtos lácteos mais universais da gastronomia. Presente no café da manhã, na confeitaria e na cozinha do dia a dia, ela costuma ter uma origem quase automática na cabeça do consumidor: o leite de vaca.
Mas, como observam especialistas em lácteos e historiadores da alimentação, essa associação não é biológica, e sim econômica, técnica e cultural.
A manteiga pode, sim, ser produzida a partir do leite de outros animais. Ovelhas, cabras e até ruminantes menos comuns, como iaques e camelos, fornecem matéria-prima para esse derivado em diferentes regiões do mundo. Ainda assim, foi o leite bovino que se consolidou como padrão global — e isso não aconteceu por acaso.
Segundo técnicos da indústria, o primeiro fator decisivo está na composição do leite. A produção de manteiga depende essencialmente da gordura: o processo consiste em bater a nata até que os glóbulos de gordura se rompam e se aglutinem, separando-se do soro. O leite de vaca apresenta uma proporção de gordura considerada ideal para esse processo, permitindo rendimento previsível e estabilidade industrial.
A leite de ovelha, inclusive, contém mais gordura do que o leite bovino, o que torna tecnicamente viável a produção de manteiga. O resultado, porém, é um produto com sabor mais intenso e textura distinta, menos neutra para o consumo cotidiano. Já o leite de cabra traz um desafio adicional: seus glóbulos de gordura são menores e mais homogêneos, dificultando a separação da nata e tornando o processo mais complexo e menos eficiente em escala comercial.
Mas a explicação vai além da química. Como apontam historiadores da alimentação, a história da domesticação foi determinante. Ao longo dos séculos, as vacas se tornaram o principal animal leiteiro em muitas regiões da Europa, da Ásia e, posteriormente, das Américas. Seu grande porte e sua elevada produção diária fizeram delas a base ideal para sistemas agrícolas voltados ao excedente.
Enquanto uma vaca pode produzir entre 20 e 30 litros de leite por dia, cabras e ovelhas entregam volumes muito menores. Isso significa que, para obter a mesma quantidade de manteiga, seriam necessários muito mais animais, mais manejo e maior custo operacional. A lógica econômica acabou favorecendo a vaca como fornecedora central de leite para manteiga.
Esse fator de escala ganhou ainda mais peso com a industrialização dos lácteos. À medida que a produção se mecanizou, a padronização se tornou essencial. A manteiga de vaca se mostrou mais fácil de processar, armazenar e distribuir, além de apresentar sabor mais suave e maior aceitação do público. O resultado foi um ciclo de reforço: mais produção gerava mais consumo, que por sua vez justificava novos investimentos.
Ao mesmo tempo, o leite de cabra e de ovelha encontrou outro destino nobre: os queijos. A composição desses leites, rica em sólidos e proteínas específicas, favorece a elaboração de queijos de identidade forte e alto valor agregado. Assim, cada tipo de leite acabou “especializando-se” dentro da cadeia láctea.
Nada disso significa que a manteiga de outros leites seja inviável ou inexistente. Em mercados artesanais e em culturas específicas, há manteigas de ovelha, de cabra e até de camelo, geralmente consumidas localmente. O que mudou foi a lógica global de abastecimento, baseada em eficiência, custo e previsibilidade.
Para analistas do setor, o domínio da manteiga bovina é um exemplo claro de como disponibilidade, tecnologia e tradição moldam hábitos alimentares. Não foi uma escolha consciente do consumidor, mas o resultado de séculos de adaptação entre campo, indústria e mesa.
Hoje, com o crescimento do interesse por produtos diferenciados e artesanais, a manteiga de outros leites volta a despertar curiosidade. Ainda assim, no mercado de massa, a vaca segue reinando absoluta — não por exclusividade natural, mas por ter sido a mais adaptável às engrenagens da história e da indústria.
A manteiga é um dos produtos lácteos mais universais da gastronomia. Presente no café da manhã, na confeitaria e na cozinha do dia a dia, ela costuma ter uma origem quase automática na cabeça do consumidor: o leite de vaca. Mas, como observam especialistas em lácteos e historiadores da alimentação, essa associação não é biológica, e sim econômica, técnica e cultural.
A manteiga pode, sim, ser produzida a partir do leite de outros animais. Ovelhas, cabras e até ruminantes menos comuns, como iaques e camelos, fornecem matéria-prima para esse derivado em diferentes regiões do mundo. Ainda assim, foi o leite bovino que se consolidou como padrão global — e isso não aconteceu por acaso.
Segundo técnicos da indústria, o primeiro fator decisivo está na composição do leite. A produção de manteiga depende essencialmente da gordura: o processo consiste em bater a nata até que os glóbulos de gordura se rompam e se aglutinem, separando-se do soro. O leite de vaca apresenta uma proporção de gordura considerada ideal para esse processo, permitindo rendimento previsível e estabilidade industrial.
A leite de ovelha, inclusive, contém mais gordura do que o leite bovino, o que torna tecnicamente viável a produção de manteiga. O resultado, porém, é um produto com sabor mais intenso e textura distinta, menos neutra para o consumo cotidiano. Já o leite de cabra traz um desafio adicional: seus glóbulos de gordura são menores e mais homogêneos, dificultando a separação da nata e tornando o processo mais complexo e menos eficiente em escala comercial.
Mas a explicação vai além da química. Como apontam historiadores da alimentação, a história da domesticação foi determinante. Ao longo dos séculos, as vacas se tornaram o principal animal leiteiro em muitas regiões da Europa, da Ásia e, posteriormente, das Américas. Seu grande porte e sua elevada produção diária fizeram delas a base ideal para sistemas agrícolas voltados ao excedente.
Enquanto uma vaca pode produzir entre 20 e 30 litros de leite por dia, cabras e ovelhas entregam volumes muito menores. Isso significa que, para obter a mesma quantidade de manteiga, seriam necessários muito mais animais, mais manejo e maior custo operacional. A lógica econômica acabou favorecendo a vaca como fornecedora central de leite para manteiga.
Esse fator de escala ganhou ainda mais peso com a industrialização dos lácteos. À medida que a produção se mecanizou, a padronização se tornou essencial. A manteiga de vaca se mostrou mais fácil de processar, armazenar e distribuir, além de apresentar sabor mais suave e maior aceitação do público. O resultado foi um ciclo de reforço: mais produção gerava mais consumo, que por sua vez justificava novos investimentos.
Ao mesmo tempo, o leite de cabra e de ovelha encontrou outro destino nobre: os queijos. A composição desses leites, rica em sólidos e proteínas específicas, favorece a elaboração de queijos de identidade forte e alto valor agregado. Assim, cada tipo de leite acabou “especializando-se” dentro da cadeia láctea.
Nada disso significa que a manteiga de outros leites seja inviável ou inexistente. Em mercados artesanais e em culturas específicas, há manteigas de ovelha, de cabra e até de camelo, geralmente consumidas localmente. O que mudou foi a lógica global de abastecimento, baseada em eficiência, custo e previsibilidade.
Para analistas do setor, o domínio da manteiga bovina é um exemplo claro de como disponibilidade, tecnologia e tradição moldam hábitos alimentares. Não foi uma escolha consciente do consumidor, mas o resultado de séculos de adaptação entre campo, indústria e mesa.
Hoje, com o crescimento do interesse por produtos diferenciados e artesanais, a manteiga de outros leites volta a despertar curiosidade. Ainda assim, no mercado de massa, a vaca segue reinando absoluta — não por exclusividade natural, mas por ter sido a mais adaptável às engrenagens da história e da indústria.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de DAP






