ESPMEXENGBRAIND
10 set 2026
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🥛 O produtor mineiro recebeu mais em agosto, mas os próximos pagamentos podem revelar uma mudança importante no mercado.
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📉 A valorização ainda está presente, porém alguns movimentos recentes começam a colocar um limite para essa trajetória.

O preço do leite em Minas Gerais avançou em agosto, mas os sinais para os próximos pagamentos são menos firmes.

O litro chegou a R$ 3,02, alta de 4,51% sobre o pagamento anterior, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A valorização ocorreu em um cenário de crescimento ainda lento da captação e de boa demanda por leite UHT. Esse equilíbrio entre oferta e procura manteve a concorrência pelo leite e sustentou os valores pagos aos pecuaristas.

Na média brasileira líquida, o movimento foi semelhante. O litro alcançou R$ 2,87 no pagamento de agosto, alta de 4,65% em relação a julho e de 4,96% na comparação real com agosto de 2025.

Segundo Ana Paula Negri, pesquisadora do Cepea, a oferta ajustada à demanda contribuiu novamente para a elevação dos preços. A demanda por UHT, os estoques considerados confortáveis e o crescimento mais lento da captação em algumas regiões mantiveram a disputa pelo leite.

Mas a sustentação observada em agosto pode não se repetir com a mesma intensidade.

Um dos principais pontos de pressão está nas importações. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as compras externas de leite em pó cresceram 9,01% entre junho e julho, chegando a 236,3 milhões de litros em equivalente/leite. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi de 33,49%.

As importações de queijos também aumentaram: 12,7% de junho para julho. O movimento amplia a disponibilidade no mercado interno e interfere nas negociações domésticas.

Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta dificuldades para formar preços dos derivados. As negociações de muçarela e leite em pó perderam ritmo em julho, segundo pesquisas do Cepea, com parte dessa desaceleração também associada às importações.

Esse cenário reduz o espaço para novas altas do leite cru. A avaliação do Cepea é que o próximo pagamento já pode apresentar retração, diante da dificuldade da indústria em garantir margem com os derivados, do avanço das importações e do crescimento da produção no campo com a aproximação do fim da entressafra.

A captação, por sua vez, já mostra sinais de recuperação. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) cresceu 2,38% em julho, na média brasileira. Apesar do aumento mensal, o indicador ainda acumula queda de 9,3% no ano.

Para setembro, referente ao leite entregue em agosto, a expectativa ainda é de valorização em Minas Gerais, mas em ritmo bem menor. Conforme o Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite (CILeite), a cotação média mineira tende a crescer 1,2%.

Minas Gerais aparece, nesse momento, em uma posição diferente da maior parte dos estados. As sinalizações dos Conseleites apontaram queda na maioria das regiões, enquanto Minas foi o único estado a registrar aumento.

No Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os recuos reforçam uma sinalização mais baixista para o mercado.

O resultado é um mercado dividido entre os preços ainda sustentados e uma série de fatores que podem mudar essa trajetória. Para Minas Gerais, a alta continua no horizonte imediato, mas em velocidade menor — enquanto importações, oferta e derivados passam a pesar cada vez mais sobre a formação das próximas cotações.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Diário do Comércio

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