Estimativa é de que a ferramenta, já "encomendada" pelo Conseleite, possa estar disponível a partir de março.
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Isso pacifica a relação do produtor com a indústria. Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais usam a calculadora — conta Tormen. 

Calculado mensalmente, o preço de referência pago pelo litro de leite, referendado pelo Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do RS (Conseleite-RS), deve ganhar em breve uma nova ferramenta.

É uma calculadora virtual, que permitirá ao agricultor verificar, de forma personalizada — conforme padrões de qualidade e região de produção —, o valor a ser usado como guia. Conforme o novo coordenador do Conseleite, Allan Tormen,  a expectativa é de que o mecanismo, que está sendo desenvolvido pela Universidade de Passo Fundo (UPF), possa ser acessado a partir de março.

— Isso pacifica a relação do produtor com a indústria. Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais usam a calculadora — conta Tormen.

A ideia é disponibilizar a calculadora no próprio site do Conseleite ou no das entidades que compõem o conselho. Produtor de leite, presidente do Sindicato Rural de Erechim e integrante da Comissão de Leite da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Tormen conversou com a coluna sobre os desafios à frente da posição e também da atividade. Veja abaixo, alguns dos temas abordados. No domingo, dia 04, ele será o entrevistado do programa Campo e Lavoura, na Rádio Gaúcha, a partir das 6h.

Histórico na atividade

Formado Técnico em Agropecuária, Allan Tormen, 31 anos, tem especialização em Produção e Gestão na Produção e Gestão em Propriedade Leiteira e, desde 2009 gerencia a atividade na propriedade da família.  A pecuária de leite ganhou o foco da atividade e passou por um processo de profissionalização e intensificação.  Com 110 vacas da raça holandesa em lactação, conseguiu ampliar a produtividade a partir do confinamento. É presidente do Sindicato Rural de Erechim e integrante da Comissão de Leite de Farsul.

Papel do Conseleite

Tormen define o Conseleite como um fórum, “um conselho em que se discute a remuneração do preço pago ao produtor, em função dos valores informados pela indústria, com compilado de custos”. A ação busca fornecer um norte aos pecuaristas para o momento da negociação com as empresas.

— Queremos construir um relacionamento com a indústria que seja convergente — completa.

Preço recebido versus custos

A crise vivida pela pecuária de leite em 2023 foi multifatorial, aponta o coordenador do Conseleite. Entre esses fatores, o aumento expressivo das importações acabou tendo um peso importante. Historicamente, cita Tormen, o Brasil importa de 0,5% a 4% em equivalente leite da produção interna. No ano passado, o percentual subiu para a casa de 8%.

— Isso causa um desarranjo de oferta e demanda muito forte.

Sobre os custos, o produtor pondera que o leite vendido hoje foi feito com silagem estocada no ano passado e retrasado. Ou seja, quando os custos ainda estavam elevados. E, no RS, as sucessivas estiagens impactaram a qualidade da silagem, fazendo com que pecuaristas também tivessem desembolso extra com a necessidade de reforçar a ração.

Ele acrescenta que no curto prazo o reflexo é a baixa no milho e na soja, mas lembra que os preços recebidos caíram “quase 50% a mais do que os custos”.

— Essa safra (de milho) que será ensilada agora, dará um reflexo lá na frente — completa.

Ganhos com a profissionalização

Sobre o que o produtor tem de ganhar com a profissionalização da atividade, Tormen respone:

O leite é uma commodity. Por mais que não esteja na bolsa, toda atividade que é uma commoditiy, quem precifica é o mercado consumidor. A escala ajuda a diluir os custos fixos e facilita a implementação de tecnologias para uma melhora na produção e uma diminuição de custos e ganho econômico maior. Mesmo em uma época do ano que preços só cobrem os custos, te ajuda a dar fluxo de caixa.

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