Leite A2 vale a pena para o produtor que busca sair da disputa por preço e agregar valor ao litro entregue? A resposta começa na ciência e termina na genética do próprio rebanho.
Estudos apresentados por pesquisadores do México e do Brasil indicam que a beta-caseína A2 pode reduzir em até 22% a inflamação intestinal em comparação com a beta-caseína convencional. Segundo Claudia Delgadillo Puga, do Instituto Nacional de Ciências Médicas e Nutrição Salvador Zubirán, os ensaios clínicos mostram certeza moderada de evitar efeitos adversos sobre a saúde intestinal quando o consumo é de leite A2.
A diferença está na proteína, não na lactose. Na variante A1, predominante no leite convencional, ocorre a liberação de um peptídeo associado a desconfortos digestivos. Já na A2, a estrutura mantém maior semelhança com a do leite materno humano, o que reduz relatos de pesadez e inflamação. Esse ponto altera o debate e cria um argumento técnico para reconquistar consumidores que abandonaram os lácteos.
No campo produtivo, o custo de entrada pode ser menor do que se imagina. Raças de origem zebuína, como o gyr leiteiro, apresentam naturalmente a variante A2. Para sistemas tropicais, isso significa vantagem comparativa baseada em herança genética já disponível.
Marcos Vinicius, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, destacou que não é necessário mudar objetivos de seleção. A estratégia consiste em escolher, entre os animais com maiores valores genéticos, aqueles comprovadamente A2A2. O diagnóstico genético precoce permite segregar o rebanho e garantir consistência na oferta.
Do ponto de vista comercial, a diferenciação tende a se refletir no preço. Flavia Fontes, diretora científica da Associação Brasileira de Produtores de Leite, afirmou que produtores com animais genotipados podem negociar melhor sua matéria-prima com indústrias interessadas em lançamentos diferenciados.
O mercado global do leite A2 já projeta cifras relevantes. Para o produtor, a decisão não envolve apenas acompanhar uma tendência, mas avaliar se a genética do próprio rebanho pode ser convertida em margem adicional. A pergunta, portanto, não é apenas técnica. É estratégica.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de CONtexto Ganadero






