Às vezes, tudo começa com um sonho simples — e termina com sete medalhas na bagagem.
A queijaria de Londrina provou isso ao transformar uma produção artesanal em destaque internacional, conquistando reconhecimento no Mundial do Queijo do Brasil.
O que era, em 2019, apenas o desejo de obter uma avaliação técnica profissional evoluiu para um marco na gastronomia do Paraná. Localizada na região do Heimtal, na zona norte de Londrina, a queijaria familiar retornou da quarta edição do concurso, realizada em São Paulo, com sete premiações — incluindo o cobiçado selo Super Ouro.
O evento reuniu mais de 2.700 produtos de 32 países, colocando à prova produtores de diferentes escalas e tradições. Nesse cenário altamente competitivo, o queijo Vale do Heimtal se destacou como um dos grandes vencedores, levando o prêmio máximo e consolidando o nome da região no mapa mundial dos queijos.
Mas não foi um caso isolado. A diversidade da produção chamou atenção dos jurados internacionais e garantiu reconhecimento em várias categorias. Além dos dois Super Ouro (Vale do Heimtal e Precioso), a queijaria conquistou Ouro com a Manteiga da Fazenda com sal, Prata com doce de leite nas versões tradicional e café, e Bronze com os queijos Azul Celeste e Pé Vermelho.
Mais do que qualidade técnica, há um elemento que diferencia essa produção: identidade. Os nomes dos produtos homenageiam a cultura local e reforçam o vínculo com Londrina. Referências como “Pé Vermelho” — apelido tradicional dos habitantes da região — e “Azul Celeste”, inspirado no Londrina Esporte Clube, ajudam a contar uma história que vai além do sabor.
Segundo o produtor Valdeir, o impacto das premiações vai além da vitrine internacional. Os produtos premiados funcionam como porta de entrada para novos consumidores, que acabam descobrindo toda a linha da queijaria. Ainda assim, o foco permanece no mesmo ponto de origem: qualidade e consistência em pequena escala.
A base desse reconhecimento está na matéria-prima. A família produz leite tipo A há mais de 32 anos, garantindo controle rigoroso sobre frescor e padronização. Esse fator tem sido decisivo para competir em igualdade com produtores tradicionais, tanto do Brasil quanto da Europa.
Mesmo com o crescimento da visibilidade, a expansão segue em ritmo orgânico. A divulgação ocorre principalmente no boca a boca, refletindo um modelo que valoriza proximidade com o consumidor e autenticidade.
O resultado é um exemplo claro de como tradição, identidade e qualidade podem transformar uma pequena produção em referência internacional — sem perder a essência.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Tarobá






