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6 jul 2026
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🧀 O queijo cancoillotte virou fenômeno nas redes e aumentou 25% em demanda, impulsionado por seu perfil leve e histórico centenário.
📈 Com apenas 8g de gordura por 100g, o queijo cancoillotte viralizou na França e já registra falta em supermercados.
📈 Com apenas 8g de gordura por 100g, o queijo cancoillotte viralizou na França e já registra falta em supermercados.

O queijo cancoillotte deixou de ser um produto restrito à tradição regional e entrou no centro das conversas digitais na França.

O movimento, impulsionado por criadores de conteúdo, transformou o queijo cancoillotte em um dos exemplos mais recentes de como hábitos alimentares antigos podem ser reposicionados por novas narrativas de consumo.

Produzido na região de Franche-Comté, próxima à fronteira com a Suíça, o produto passou a ganhar destaque após ser apresentado nas redes sociais como uma alternativa mais leve dentro do universo dos queijos franceses.

O impacto foi imediato. Segundo a Associação para a Promoção da Cancoillotte, a demanda aumentou 25% apenas em maio, com registros de falta do produto em supermercados. Em paralelo, o consumo acumulado também revela uma curva consistente: nos últimos sete anos, as vendas cresceram 35%.

O principal ponto de virada está no perfil nutricional. Enquanto queijos tradicionais franceses podem variar entre 15 e 30 gramas de gordura por 100 gramas, o queijo cancoillotte apresenta em média 8 gramas de gordura, cerca de 130 calorias e 16 gramas de proteína na mesma porção. Esse conjunto de características ajudou a reposicionar o produto no imaginário do consumidor digital.

Apesar da recente popularidade, o produto tem quase dois mil anos de história e é feito a partir de leite de vaca desnatado, geralmente como subproduto da produção de manteiga e creme de leite. O processo envolve fermentação, coagulação e prensagem, formando um bloco chamado metton, que depois é moído, maturado e aquecido com manteiga, água e sal até alcançar sua textura cremosa.

A nova fase de visibilidade contrasta com a imagem que o produto carregava até pouco tempo atrás. O queijo cancoillotte era frequentemente associado a gerações mais velhas e considerado pouco atrativo para o público jovem. Essa percepção começou a mudar a partir de 2020, quando receitas e usos culinários passaram a circular em plataformas digitais, ampliando seu repertório gastronômico para wraps, hambúrgueres, massas e molhos.

Outro fator relevante na trajetória recente foi o reconhecimento oficial. Em 2022, o produto recebeu a Indicação Geográfica Protegida, reforçando seu vínculo com a região de origem e abrindo novas discussões sobre exportação, incluindo o mercado dos Estados Unidos.

A produção envolve mais de 20 fabricantes e cerca de 230 agricultores leiteiros locais, o que resulta em variações sensoriais importantes entre marcas. Os perfis de sabor vão de notas fermentadas e frutadas até nuances mais intensas e terrosas. Além disso, há uma expansão de versões aromatizadas, com ingredientes como vinho branco, alho, cebola, nozes, pesto e trufa.

No cotidiano regional, o queijo cancoillotte segue profundamente integrado à cultura alimentar. Ele é consumido quente sobre batatas assadas com linguiça defumada, usado como patê no café da manhã ou levado em piqueniques. Uma expressão popular local resume essa relação: “Nascemos com uma colher de cancoillotte na boca.”

O produto também ganhou respaldo institucional. O serviço público de saúde da França recomenda o queijo cancoillotte como uma opção de baixo teor de gordura, o que reforça seu apelo em um contexto de maior atenção à alimentação saudável. Segundo a associação do setor, o recente crescimento nas redes sociais ocorreu de forma espontânea, sem patrocínio, fator que os produtores consideram especialmente relevante.

No cruzamento entre tradição e viralização, o queijo cancoillotte se torna um caso emblemático de como produtos locais podem ser reconfigurados pela cultura digital sem perder suas raízes.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Povo

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