ESPMEXENGBRAIND
24 jan 2026
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🧀 Produzidos com leite cru e fermentos naturais, esses queijos preservam culturas regionais e sustentam economias locais.
🐄 Do leite cru ao pingo, esses queijos artesanais brasileiros revelam por que o país é um mosaico de sabores.
🐄 Do leite cru ao pingo, esses queijos artesanais brasileiros revelam por que o país é um mosaico de sabores.

Queijos artesanais brasileiros ocupam um lugar especial na mesa e na memória cultural do país.

Celebrado em 20 de janeiro, o Dia Mundial do Queijo ganha, no Brasil, um significado particular: é a data que convida o consumidor urbano a olhar para o campo e reconhecer que parte relevante da identidade alimentar nacional nasce de pequenas queijarias, práticas transmitidas entre gerações e um profundo vínculo com o território.

Produzidos, em sua maioria, com leite cru e fermentos naturais — como o tradicional “pingo”, obtido do soro de produções anteriores — esses queijos carregam características sensoriais únicas. Durante décadas, foram vistos apenas como produtos locais. Hoje, são reconhecidos como expressão cultural, ativos econômicos e alimentos que conectam tradição, ciência e regulação sanitária.

A produção artesanal sustenta milhares de famílias rurais e já recebeu reconhecimento institucional. Os “modos de fazer” do queijo Minas artesanal, por exemplo, foram registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Já o Ministério da Agricultura (Mapa) estabelece normas que garantem segurança microbiológica, especialmente no caso de queijos elaborados com leite cru.

A legislação brasileira determina que queijos desse tipo passem por períodos mínimos de maturação — geralmente 60 dias —, prazo que pode ser reduzido quando estudos técnicos comprovam a segurança do produto. Além disso, o Selo ARTE permite a comercialização interestadual de alimentos artesanais de origem animal, desde que respeitadas boas práticas de fabricação.

Dentro desse universo, alguns queijos artesanais brasileiros se destacam não apenas pelo sabor, mas pela história que carregam.

Canastra: o ícone mineiro

Produzido na Serra da Canastra, em Minas Gerais, o Queijo Canastra é feito com leite de vaca cru e fermentos naturais da própria região. Apresenta casca amarelada, textura firme e interior cremoso, com sabor levemente ácido e picante. A maturação, que varia entre 14 e 22 dias, intensifica a complexidade aromática, influenciada pelas bactérias naturais do ambiente. É um queijo que traduz o território onde nasce.

Marajó: identidade amazônica em forma de queijo

Na Ilha de Marajó, no Pará, a matéria-prima muda: entra em cena o leite de búfala. O Queijo do Marajó possui duas variações principais, o tipo Creme e o tipo Manteiga. Ambos apresentam textura muito macia e sabor suave. A produção é fundamental para a economia local e, em 2021, o produto recebeu Indicação Geográfica, selo que protege sua origem e métodos tradicionais.

Serro: tradição que atravessa séculos

Também mineiro, o Queijo do Serro difere do Canastra pela maior umidade e menor tempo de maturação. A técnica foi trazida de Portugal, da região da Serra da Estrela, durante o período colonial. Com sabor suave e levemente ácido, foi o primeiro queijo brasileiro a conquistar Indicação Geográfica, em 2011. Onze municípios preservam até hoje os padrões históricos de produção.

Serrano: sabor das alturas do Sul

Produzido nos Campos de Cima da Serra, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Queijo Serrano remonta ao século XVIII. É feito com leite de vacas de corte, especialmente Angus e Hereford, adaptadas ao clima frio e às altitudes elevadas. O resultado é um queijo de sabor intenso, cuja textura se torna mais granulada com o envelhecimento. Sua história se confunde com a dos tropeiros, que transportavam mercadorias por longas distâncias.

Coalho artesanal: o clássico do Nordeste

Diferente das versões industriais populares em espetinhos, o Queijo Coalho artesanal é feito por pequenos produtores, com leite cru e técnicas tradicionais de coagulação. Sua principal característica é resistir ao calor: quando fresco, não derrete completamente e “range” ao ser mordido, devido à estrutura proteica. Essa propriedade o torna ideal para grelhar ou fritar, mantendo identidade e textura.

Como reconhecer qualidade e origem

Para o consumidor, identificar queijos artesanais brasileiros de qualidade passa pela atenção aos selos oficiais de inspeção — federal (SIF), estadual (SIE) e o Selo ARTE. Textura natural, aroma expressivo e casca firme também são indicativos de um produto bem maturado. Sempre que possível, conhecer a origem e o produtor fortalece a conexão entre o campo e a mesa.

Mais do que alimentos, esses queijos são narrativas comestíveis. Em cada fatia, há técnica, território e tempo — ingredientes que explicam por que o Brasil é, também, um país de grandes queijos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agro Estadão

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