Às vezes, o que começa como solução vira destaque nacional. Queijos artesanais de Mato Grosso conquistaram 29 medalhas no Concurso Mundial do Queijo realizado em São Paulo, mostrando que técnica, constância e propósito podem transformar leite em reconhecimento.
A competição reuniu cerca de 200 produtos avaliados por jurados brasileiros e internacionais, com critérios rigorosos como aparência, textura, aroma e sabor. O resultado para Mato Grosso foi expressivo: 4 medalhas SuperOuro, 5 Ouros, 9 Pratas e 11 Bronzes, consolidando a presença do estado no mapa dos queijos artesanais brasileiros.
Entre os destaques estão os produtores Larissa Alves Berté Barbosa e Silas Vicente Barbosa Júnior, responsáveis pelo queijo Diamante e por uma manteiga com trufas negras — ambos premiados com SuperOuro. O queijo Rubi, da mesma produção, também subiu ao pódio com medalha de bronze.
Mais do que troféus, a trajetória revela um movimento consistente de evolução. A produção começou em 2020, em plena pandemia, com um objetivo prático: evitar o desperdício de leite. A partir daí, o foco se voltou para queijos de longa maturação, exigindo tempo, estudo e precisão técnica.
O avanço ficou claro ao longo dos anos. Em 2022, o queijo Diamante conquistou bronze — a primeira premiação de um queijo de Mato Grosso nesse tipo de concurso. Em 2026, o mesmo produto alcançou o SuperOuro, evidenciando ganho de qualidade e refinamento do processo produtivo.
A participação dos 30 produtores do estado foi organizada pelo Sebrae/MT, reforçando o papel da articulação institucional no desenvolvimento de pequenos negócios e na profissionalização da cadeia. Para os produtores, estar presente no concurso é tão relevante quanto vencer: trata-se de submeter o produto a avaliação técnica, identificar pontos de melhoria e acompanhar padrões de mercado.
O evento também teve um momento de homenagem à produtora Raquel Cattani, premiada em edições anteriores e vítima de feminicídio em 2024. A lembrança trouxe um tom de respeito e memória a um setor que cresce, mas também carrega histórias pessoais.
No conjunto, os resultados mostram mais do que medalhas: indicam um movimento de valorização da produção artesanal, com impacto direto na percepção de qualidade e no posicionamento de mercado — tanto para o consumidor final quanto para quem acompanha a evolução da cadeia láctea.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de G1






