Morro Azul inicia 2026 consolidando o Brasil no cenário internacional de queijos de alta qualidade, ao ser incluído em uma seleção global elaborada pela revista norte-americana Culture Magazine, uma das publicações especializadas mais influentes do setor.
O queijo, produzido em Santa Catarina, é o único representante brasileiro em uma lista que reúne 65 queijos considerados de elite, elaborados a partir de leite de vaca, cabra, ovelha e búfala. A seleção tem como critério central o desempenho consistente desses produtos em competições internacionais de prestígio, e não apenas avaliações sensoriais pontuais.
De acordo com a Culture Magazine, o levantamento considera resultados acumulados em concursos como o World Cheese Awards, o United States Championship Cheese Contest e o Mundial do Queijo do Brasil, eventos que funcionam como referência técnica para o setor global de lácteos artesanais. A informação foi divulgada no Brasil pela Globo Rural.
A presença do Morro Azul nesse grupo restrito sinaliza um movimento mais amplo: o amadurecimento técnico da produção artesanal brasileira e sua crescente capacidade de competir em igualdade com queijos historicamente consagrados da Europa e da América do Norte. Para analistas do setor, rankings desse tipo funcionam como termômetro da consistência produtiva ao longo do tempo, e não apenas como reconhecimento pontual.
Produzido pela Queijos Pomerode, o Morro Azul é elaborado com leite de vaca e segue um processo artesanal de maturação que se tornou sua principal marca técnica. Durante esse período, cada peça é envolta por uma cinta de madeira, recurso que interfere diretamente na formação da casca, no controle da umidade e na evolução da textura interna do queijo.
Esse método resulta em uma massa intensamente cremosa, com perfil sensorial suave e predominância de notas amanteigadas e lácteas. A combinação entre textura e sabor é frequentemente associada, segundo especialistas e materiais técnicos do produto, a harmonizações com cervejas de perfil maltado e vinhos brancos, especialmente aqueles com boa acidez.
Para os produtores catarinenses Juliano e Bruno Mendes, irmãos à frente da Queijos Pomerode, o reconhecimento internacional vai além do prestígio comercial. Em declarações anteriores, eles já destacaram que premiações e rankings funcionam como validação técnica de processos produtivos que exigem rigor sanitário, domínio de maturação e padronização, mesmo dentro de um modelo artesanal.
O destaque obtido em 2026, no entanto, não surge de forma isolada. O Morro Azul vem acumulando reconhecimentos relevantes nos últimos anos, o que contribui para sua inclusão em listas que priorizam consistência e recorrência de desempenho. Em 2025, o queijo já havia sido incluído na lista dos 100 melhores queijos do mundo do Taste Atlas, um guia internacional de gastronomia amplamente utilizado como referência por consumidores e profissionais.
No ano anterior, em 2024, o produto alcançou um dos marcos mais expressivos de sua trajetória ao ser eleito o Melhor Queijo da América Latina no 35º World Cheese Awards, realizado na Noruega. Na ocasião, recebeu a medalha Super Ouro pelo segundo ano consecutivo, distinção reservada a produtos que atingem pontuações excepcionalmente altas entre jurados internacionais.
Especialistas do setor lácteo observam que a trajetória do Morro Azul reflete uma transformação mais ampla da cadeia de queijos finos no Brasil, especialmente no Sul do país. Investimentos em capacitação técnica, controle de qualidade do leite e valorização do território de origem têm permitido que produtores artesanais atinjam padrões exigidos pelos principais concursos globais.
Nesse contexto, a presença do Morro Azul na seleção da Culture Magazine em 2026 funciona como um indicador claro de posicionamento: o Brasil deixa de ser apenas um mercado consumidor ou emergente e passa a ocupar espaço como origem reconhecida de queijos de classe mundial, ainda que de forma seletiva.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrofy News






