O VBP do leite da pecuária brasileira deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro.
O valor representa um crescimento aproximado de 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, sinalizando uma recuperação gradual do setor após um período de forte compressão de margens.
Segundo o Mapa, embora o avanço projetado não seja expressivo em termos reais, a trajetória positiva reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, além de uma melhora relativa nos custos de produção. Após anos marcados por alta nos insumos, volatilidade e pressão financeira — especialmente em 2022 e 2023 —, o setor passou a operar com maior previsibilidade econômica.
A evolução do VBP também está associada a ajustes nos sistemas de manejo, nutrição e organização produtiva. Produtores e cooperativas intensificaram o uso de tecnologias, buscaram eficiência alimentar e adotaram práticas de gestão mais rigorosas, o que contribuiu para recompor parte das margens perdidas nos ciclos anteriores.
No recorte estadual, Minas Gerais permanece como o principal polo da atividade leiteira no país. Para 2025, o estado apresenta VBP projetado de R$ 18,26 bilhões, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados em 2024. A liderança mineira reflete a escala produtiva, a capilaridade da cadeia e a presença de bacias leiteiras consolidadas, com forte integração entre produtores, cooperativas e indústria.
O Paraná ocupa a segunda posição no ranking, com crescimento mais acentuado. O VBP estadual deve atingir R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos de produção, elevado nível de tecnificação, cooperativismo estruturado e ganhos consistentes de produtividade. De acordo com analistas do setor, o desempenho paranaense ilustra como organização e eficiência podem mitigar parte dos riscos estruturais da atividade.
Na sequência aparecem Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, que completam o grupo dos principais estados produtores de leite. Nessas regiões, o avanço do VBP ocorre de forma mais equilibrada, sustentado por melhorias incrementais na gestão das propriedades, investimentos seletivos e adaptação a diferentes realidades climáticas e de mercado.
O histórico do VBP do leite mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente ao longo dos últimos anos. Em 2018, o valor bruto da produção era estimado em R$ 53,7 bilhões. A projeção acima de R$ 71 bilhões em 2025 indica um avanço significativo em valores correntes, sustentado por modernização, genética, mecanização e maior tecnificação das propriedades, especialmente nas bacias leiteiras mais organizadas.
No entanto, especialistas do setor alertam que essa evolução deve ser analisada com cautela. Os números são apresentados em valores nominais e não consideram a inflação acumulada no período. Isso significa que parte do crescimento observado reflete variações de preço e recomposição inflacionária, e não exclusivamente aumento de produção física ou ganhos estruturais de competitividade.
Ainda assim, o crescimento de 4,9% em 2025, aliado a resultados mais homogêneos entre as regiões produtoras, reforça a percepção de maior estabilidade da cadeia do leite. O setor segue enfrentando desafios relevantes, como margens apertadas, exigências ambientais e volatilidade de mercado, mas apresenta sinais de adaptação e resiliência.
Nesse contexto, o Anuário do Agronegócio, citado pelo Mapa, se consolida não apenas como o registro do maior VBP do leite da história em valores correntes, mas também como uma ferramenta de leitura estratégica sobre os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Para a pecuária leiteira, os dados indicam um cenário de transição: menos euforia, mais equilíbrio e foco crescente em eficiência.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Presente Rural






