A tecnologia na produção de leite está mudando a forma como algumas propriedades enfrentam as limitações impostas pelo clima.
Em Nossa Senhora da Glória, no interior de Sergipe, uma fazenda estruturou seu crescimento a partir de investimentos contínuos em genética, manejo, nutrição e conforto animal, alcançando uma produção diária próxima de 6.700 litros e estabelecendo como próxima meta atingir 10 mil litros por dia.
O projeto opera atualmente com cerca de 190 vacas em lactação, formadas predominantemente por animais da raça Holstein Friesian. Dentro do rebanho, algumas vacas chegam a produzir até 70 quilos de leite por dia, resultado associado ao conjunto de práticas adotadas desde o início da operação.
A estratégia da propriedade foi construída sobre diferentes frentes consideradas essenciais para manter a eficiência produtiva. Entre elas estão o melhoramento genético, os programas de reprodução, a nutrição do rebanho, o manejo diário e o desenvolvimento de animais com genética A2A2, segmento que vem conquistando espaço no mercado de lácteos premium.
Em uma região caracterizada por temperaturas elevadas durante praticamente todo o ano, o controle do ambiente passou a ser parte central da operação. Para reduzir o impacto do estresse térmico sobre vacas de alta produção, a fazenda investiu no sistema Compost Barn, complementado por ventilação constante e um manejo direcionado ao conforto animal.
Outro desafio enfrentado pela propriedade é garantir alimentação regular independentemente das condições climáticas. Para isso, foi adotada uma estratégia de formação de reservas de alimento, baseada na produção própria de silagem de milho. O estoque permite assegurar alimentação ao rebanho por até dois anos, diminuindo a exposição da atividade a períodos de estiagem severa, oscilações climáticas e eventuais dificuldades nas safras.
Essa organização também busca aumentar a previsibilidade operacional, reduzindo riscos em uma atividade que depende da regularidade nutricional para manter elevados índices produtivos.
Apesar dos avanços alcançados dentro da fazenda, fatores externos continuam influenciando o negócio. Segundo a gestão da propriedade, a volatilidade dos preços pagos pelo leite ainda representa um obstáculo para o planejamento financeiro e para a realização de novos investimentos, embora toda a produção seja destinada à indústria local.
A disponibilidade de mão de obra também permanece entre as principais dificuldades. Mesmo oferecendo contratação formal, treinamento e boas condições de trabalho, a propriedade relata que encontrar profissionais interessados na atividade leiteira tornou-se um desafio recorrente.
Ainda assim, os planos de expansão seguem em andamento. A expectativa é elevar a produção para 10 mil litros diários em 2026 utilizando a estrutura física já existente e o número atual de animais disponível para sustentar esse crescimento.
Mais do que apresentar um aumento de produtividade, a experiência mostra que planejamento, tecnologia e gestão passaram a ocupar um papel decisivo na produção leiteira, inclusive em regiões onde, durante muitos anos, as limitações climáticas eram consideradas um dos principais entraves ao desenvolvimento da atividade.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CompreRural






