Por trás de cada geladeira lotada de bebidas vegetais caras existe, muitas vezes, uma informação mal compreendida. A ideia de que o ser humano é o único animal que continua bebendo leite depois de adulto se espalhou pela internet e ganhou força de verdade absoluta.
Mas essa teoria, segundo a nutricionista Aina Candel, não passa de um boato sem embasamento clínico.
A explicação da especialista é direta: uma parte significativa da população mundial manteve, ao longo dos séculos, a capacidade de digerir o leite graças a uma adaptação genética natural. Isso significa que, para quem não apresenta problemas intestinais e gosta do sabor, o consumo de leite na vida adulta segue totalmente liberado.
O laticínio continua sendo uma fonte de cálcio de alta absorção e de proteínas de qualidade elevada, e os guias de saúde atuais recomendam até três porções diárias de derivados lácteos.
O impasse, no entanto, costuma aparecer no corredor do supermercado, na hora de decidir entre a versão integral e a desnatada. A crença de que os produtos com menos gordura são sempre a opção mais saudável perdeu sustentação em estudos recentes. Candel afirma que cortar a gordura natural do leite pensando em proteger o coração é um erro comum de quem faz dieta sem orientação adequada.
O leite integral, ao contrário do que se imagina, proporciona mais saciedade ao longo do dia e preserva melhor as vitaminas lipossolúveis A e D, essenciais para o funcionamento do organismo. Para quem não tem colesterol alto, a versão tradicional aparece como opção saudável e saborosa.
Outro ponto de confusão frequente envolve dois quadros que costumam ser tratados como sinônimos, mas que não têm nada em comum: a intolerância à lactose e a alergia ao leite. A intolerância é apenas um incômodo digestivo, causado pela baixa produção da enzima lactase, e provoca gases e distensão abdominal — mas quem convive com ela geralmente consegue comer pequenas porções de iogurte ou queijos curados sem sofrer.
Já a alergia é um problema mais sério, no qual o sistema de defesa do corpo reage contra a proteína do laticínio, podendo causar desde coceiras na pele até problemas respiratórios. Nesse caso, o corte do alimento precisa ser total e imediato, sempre sob orientação médica.
É justamente essa confusão que leva muita gente a abandonar os laticínios em busca das bebidas de aveia, amêndoa ou coco que ganharam popularidade nos últimos anos. A legislação, porém, nem sequer permite chamar esses produtos de “leite”, já que são apenas extratos vegetais com um perfil nutricional bem diferente. A bebida de amêndoa, por exemplo, entrega uma quantidade quase nula de proteínas por porção — muito longe do que o leite de vaca oferece.
Para quem opta por essas alternativas por estilo de vida, alguns cuidados fazem diferença na hora da compra: escolher marcas enriquecidas com cálcio e vitamina D, evitar rótulos com listas extensas de açúcares escondidos e conservantes, e priorizar a bebida de soja quando o objetivo é atingir uma meta de proteínas.
No fim das contas, o cálcio dos laticínios tem uma biodisponibilidade mais alta e de absorção mais fácil pelo organismo. Vegetais escuros também contêm o mineral, mas boa parte dele é bloqueada por substâncias naturais chamadas oxalatos, o que reduz o aproveitamento pelo corpo.
Por isso, segundo a nutricionista, o leite tradicional segue sendo o caminho mais rápido e acessível para proteger os ossos contra a osteoporose. A recomendação final é simples: avaliar as necessidades individuais com um profissional de confiança antes de qualquer mudança radical na geladeira, buscando um padrão alimentar equilibrado, saboroso e sustentável no bolso.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Estado de Minas – Em foco






