As exportações de lácteos passaram a ocupar posição central nas discussões da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), que reuniu representantes dos três estados da Região Sul, especialistas do setor e lideranças do Mato Grosso do Sul para debater medidas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva.
O encontro concentrou esforços em competitividade, abertura de mercados, sanidade animal e mecanismos de proteção à produção.
Entre os principais consensos do encontro está a necessidade de reduzir a dependência do mercado interno, frequentemente marcado por oscilações de preços. A avaliação apresentada durante a reunião é que a ampliação do acesso ao mercado internacional pode oferecer maior estabilidade para produtores e indústrias, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de crescimento da atividade.
Um dos principais temas foi a atualização do Programa de Incentivo à Exportação de Leite pelo BRDE, estruturado para atender os três estados da Região Sul. A proposta prevê incentivos destinados ao financiamento de projetos de laticínios interessados em exportar produtos como leite em pó, queijos, manteiga e gordura anidra, utilizando recursos estaduais aportados pelo Codesul.
Os dados apresentados mostram que a Região Sul responde por 41,1% do leite industrializado do Brasil e produz volume superior ao consumo regional. Esse desequilíbrio reforça a necessidade de buscar novos mercados, especialmente diante dos elevados custos de produção e da concorrência internacional.
Segundo a proposta discutida pela Aliança Láctea, a ampliação das exportações pode aproximar os preços internos dos padrões internacionais, reduzir a instabilidade enfrentada pelos produtores e aumentar a capacidade do setor de competir com produtos importados. A expectativa também é ampliar a eficiência produtiva e estimular o consumo nacional de leite, atualmente em torno de 180 litros por habitante ao ano, com potencial para alcançar 220 litros anuais.
Além do mercado externo, as lideranças defenderam avanços na área sanitária, especialmente no controle da brucelose e da tuberculose, considerados pontos importantes para ampliar a competitividade da produção leiteira.
Outro eixo debatido foi a proteção da cadeia produtiva. Entre as iniciativas apresentadas está a suspensão da concessão de incentivos fiscais para importação de leite e derivados em Santa Catarina, medida apontada como forma de proteger a produção local diante da concorrência considerada desleal.
A reunião também abriu espaço para discutir oportunidades de agregação de valor. Entre elas está a proposta de desenvolver uma estratégia voltada ao aproveitamento econômico do soro de leite para produção de proteínas lácteas de maior valor agregado, com destaque para o whey protein. A iniciativa poderá ser acompanhada por um estudo de viabilidade técnica, econômica e logística, com apoio do BRDE, para identificar investimentos, modelos de governança e alternativas de financiamento.
Na agenda também estiveram presentes a atualização do processo antidumping envolvendo leite em pó importado, a apresentação de uma ferramenta de mercado futuro para lácteos desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea, além de debates sobre inovação, políticas de competitividade e fortalecimento da cadeia leiteira.
O conjunto das propostas reforça a estratégia de integração entre governos, entidades e setor produtivo para construir alternativas que aumentem a competitividade da cadeia do leite e ampliem sua presença no mercado internacional.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Presente Rural






