O comércio mundial de lácteos está diante de uma reconfiguração significativa.
Segundo um relatório do Rabobank assinado por Tom Booijink, especialista em lácteos para Europa e África, a demanda global segue em expansão, sustentada pelo crescimento populacional, pela melhora de renda e por mudanças nos hábitos alimentares em diferentes regiões do planeta.
O dado chama atenção justamente porque contraria um movimento em curso na China, hoje o maior importador lácteo do mundo: o país avança rumo à autossuficiência na produção. Ainda assim, o apetite global por lácteos não perde força — pelo contrário, encontra no sudeste asiático e no Oriente Médio os mercados mais dinâmicos para as importações.
Diante desse cenário, o relatório aponta que apenas dois países reúnem hoje capacidade e disposição para elevar significativamente sua produção e responder a essa demanda crescente: Estados Unidos e Argentina.
O queijo aparece como o produto central dessa análise. Ao seu redor, o soro de leite e seus derivados ganham peso não apenas como fonte de crescimento, mas como motor de rentabilidade para o setor — um fator que já vem acelerando investimentos em capacidade de processamento quesero nas principais regiões produtoras.
Esse movimento de expansão, no entanto, gera um efeito colateral: a produção cresce mais rápido do que a capacidade de absorção dos mercados internos. O resultado é uma dependência cada vez maior das exportações, o que retroalimenta a expansão do comércio internacional de lácteos.
A manteca segue lógica semelhante, embora por outro caminho. O relatório destaca uma relação direta entre aumento de renda e consumo do produto: quanto maior a riqueza de uma população, maior seu consumo de manteiga. Como esse crescimento de renda nem sempre ocorre nas mesmas regiões onde a manteiga é produzida, o descompasso geográfico se transforma em mais um estímulo ao comércio internacional.
Se Estados Unidos e Argentina surgem como protagonistas do lado da oferta, a União Europeia aparece como o principal fator de moderação. O documento projeta uma redução da oferta de leite no bloco europeu ao longo da próxima década, o que deve limitar tanto a produção quanto os volumes disponíveis para exportação.
Mesmo com esse freio europeu, o Rabobank mantém sua projeção de fundo: o comércio mundial de lácteos deve continuar crescendo a uma taxa próxima de 2% ao ano. A trajetória, no entanto, não será linear — o relatório antecipa períodos de volatilidade, associados às oscilações na oferta das principais regiões exportadoras.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tardáguila






