ESPMEXENGBRAIND
17 jul 2026
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🌎 Os números mostram que o crescimento da indústria de queijos está ampliando um dos maiores ativos do setor lácteo brasileiro.
lácteo
🚜 O avanço da industrialização do leite amplia a oferta de soro e cria novas possibilidades para processamento e agregação de valor.

Estimativas apresentadas no estudo “Soro de Leite e Bebida Láctea no Brasil – Sustentabilidade, Produção e Consumo” indicam que a disponibilidade nacional de soro de leite no setor lácteo alcançou 11,888 bilhões de litros em 2024.

O cálculo, elaborado a partir da produção de queijos, da produção formal e informal de leite e do comércio exterior, evidencia a dimensão que esse fluxo passou a ocupar dentro da cadeia láctea e ajuda a explicar por que seu processamento ganha importância para a indústria.

Indicadores do soro de leite no Brasil (2024)
Produção nacional de leite 35,744 bilhões de litros
Produção estimada de leite não inspecionado 10,365 bilhões de litros
Leite destinado à fabricação de queijos 9,287 bilhões de litros
Participação do queijo na captação formal 36,6%
Soro gerado por queijos inspecionados 8,358 bilhões de litros
Soro gerado por queijos não inspecionados 3,414 bilhões de litros
Disponibilidade total estimada de soro 11,888 bilhões de litros
Disponibilidade por habitante 56 litros/ano
Importações de soro 15.326 toneladas
Exportações de soro 7.629 toneladas

O principal fator por trás desse crescimento é a expansão da fabricação de queijos. Em 2024, 9,287 bilhões de litros de leite foram destinados a esse segmento, o equivalente a 36,6% de todo o leite captado por estabelecimentos sob inspeção. Como, em termos técnicos, aproximadamente 90% do volume original do leite transforma-se em soro, qualquer aumento na produção de queijos resulta em um crescimento proporcional da oferta desse coproduto.

A estimativa apresentada pelos autores considera que são gerados nove litros de soro para cada dez litros de leite destinados à fabricação de queijos. A partir dessa premissa, somam-se o soro proveniente da produção formal e informal, ajustando-se o resultado pelas importações e exportações, chegando à disponibilidade nacional de 11,888 bilhões de litros em 2024.

Os dados mostram ainda que essa evolução acompanha uma transformação mais ampla da indústria láctea brasileira. Embora exista uma produção informal estimada em 10,365 bilhões de litros de leite por ano, o estudo observa que parte desse volume pode estar associada a cadeias com menor capacidade tecnológica, logística ou sanitária para aproveitar o soro de leite.

Segundo os autores, isso indica um potencial ainda não explorado de valorização desse coproduto por meio da integração desses produtores ao mercado formal.

É justamente nesse ponto que surgem as oportunidades para a indústria. O estudo destaca que o aumento da disponibilidade de soro pode refletir melhorias nos sistemas de coleta, processamento e reaproveitamento industrial, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência produtiva.

Também ressalta que tecnologias como o processamento UHT e a secagem por spray dryer, presentes principalmente nas regiões Sul e Sudeste, ampliam as possibilidades de utilização do soro em diferentes ingredientes e derivados.

O crescimento desse fluxo representa uma oferta maior e mais contínua de matéria-prima. Na prática, a expansão da produção de queijos não aumenta apenas a disponibilidade de queijo no mercado, mas também amplia o volume de soro passível de processamento industrial, criando condições para maior aproveitamento desse coproduto ao longo da cadeia.

Os indicadores de comércio exterior reforçam esse movimento. As importações de soro de leite recuaram de 22.774 toneladas, em 2011, para 15.326 toneladas, em 2024. No mesmo período, as exportações atingiram 7.629 toneladas, o maior volume da série histórica apresentada pelo estudo.

Embora o Brasil ainda registre déficit comercial nesse produto, os autores observam que esse desempenho pode indicar avanços na competitividade da indústria nacional, associados à melhoria da qualidade dos produtos e à ampliação da capacidade de processamento.

Outra evidência aparece na disponibilidade por habitante. O indicador passou de 47 litros por pessoa, em 2011, para 56 litros em 2024, crescimento de 18,6%. Segundo o estudo, essa evolução amplia a oferta de matéria-prima para a indústria de alimentos e suplementos e cria oportunidades para aumentar a eficiência no aproveitamento dos derivados lácteos.

Os números ajudam a compreender uma mudança estrutural na cadeia láctea. O crescimento da fabricação de queijos aumenta, na mesma proporção, a disponibilidade de soro de leite.

À medida que esse fluxo continua a ganhar escala, o diferencial competitivo tende a estar menos na geração desse coproduto e mais na capacidade da indústria de processá-lo, incorporá-lo a novos ingredientes e ampliar a agregação de valor dentro da própria cadeia.

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