ESPMEXENGBRAIND
12 jan 2026
ESPMEXENGBRAIND
12 jan 2026
🧊 O leite spot barato revela gargalos industriais e antecipa riscos de sobreoferta na UE.
🐂 O mercado tenta reagir, mas o leite spot em níveis mínimos limita qualquer recuperação.
🐂 O mercado tenta reagir, mas o leite spot em níveis mínimos limita qualquer recuperação.

O leite spot inicia 2026 como o principal freio para qualquer reação consistente do mercado lácteo europeu, mesmo diante de um sentimento claramente mais otimista entre traders e compradores.

A avaliação é do consultor e analista Wouter Reijntjes, que descreve um cenário paradoxal: psicologia bullish convivendo com fundamentos profundamente bearish.

Após apenas quatro dias completos de negociação no novo ano, a atividade ainda é limitada, mas os sinais estruturais são claros. Segundo Reijntjes, em condições normais, a combinação entre poucos vendedores e o receio dos compradores de perder oportunidades deveria criar espaço para uma recuperação de preços. No entanto, a realidade do leite spot negociado em torno de 10 centavos por quilo, contratos de leite desnatado concentrado (SMC) entre €300 e €500 e creme disponível perto de €3.500 FCA impõe um teto rígido ao mercado.

No segmento de manteiga, os preços permanecem praticamente estáveis. Há, contudo, uma leve pressão nos vencimentos mais curtos, provocada por cargas pontuais mais baratas oriundas da Polônia. Para janeiro, negócios vêm sendo mencionados entre €3.800 e €3.850 FCA na Europa Ocidental. Já os pós lácteos mostram maior firmeza, sobretudo no mercado futuro. A demanda supera a oferta, ainda que essa força nem sempre se reflita integralmente no físico.

O mercado de queijos segue travado. Reijntjes relata dificuldade em fechar negócios, com um descompasso persistente entre ofertas e bids. Mesmo com volumes escassos, vender Gouda, Edam ou Mozzarella acima de €3.000 FCA continua sendo um desafio. A demanda, embora presente, permanece cautelosa e sem pressa para avançar.

Leite spot indica pico precoce de produção

Embora o calendário marque apenas a segunda semana do ano, o fluxo de leite cru conta outra história. Os volumes coletados na Europa Ocidental já se assemelham aos observados entre as semanas 12 e 20, período tipicamente associado ao pico sazonal. Um produtor resumiu a situação ao afirmar que algumas regiões já lidam com volumes máximos, mesmo antes do tradicional flush de primavera.

Fábricas operando a plena capacidade em janeiro — algo raro — ajudam a explicar por que o leite spot está tão barato. Não se trata de demanda fraca por commodities, mas de limitação na capacidade de processamento. O leite cru vem sendo ofertado não apenas para a semana seguinte, mas também de forma antecipada, a preços entre 10 e 15 centavos FCA.

O creme segue girando em torno de €3.500 FCA, com relatos pontuais de níveis ainda mais baixos. Com o leite spot tão acessível, a disponibilidade de creme abaixo de €4.000 parece inevitável nas próximas semanas. Episódios prolongados abaixo desse patamar só foram vistos em 2010, 2015 e 2020, sugerindo que o conhecido ciclo de cinco anos pode ter se estendido um pouco mais desta vez.

O risco central é o tempo. A produção de leite deve continuar crescendo sazonalmente por mais 10 a 12 semanas. Em condições normais, os volumes só recuariam abaixo dos níveis atuais com a chegada do verão. Se esse padrão se confirmar, os preços deprimidos do leite spot podem persistir por vários meses.

Produção caminha para níveis recordes

Com preços baixos refletindo oferta elevada — e não falta de demanda —, a suposição é que as fábricas estejam operando no limite. Isso antecipa a formação de estoques e eleva o risco de sobreprodução de commodities.

Historicamente, a produção média de manteiga em janeiro gira em torno de 190 mil toneladas, contra picos próximos de 225 mil toneladas. Fevereiro e março costumam ficar abaixo desse teto. Pelos cálculos do analista, isso pode significar até 60 mil toneladas adicionais de manteiga nos próximos três meses, em comparação a um ano considerado normal.

No caso dos queijos, a diferença entre janeiro e o pico produtivo é de cerca de 50 mil toneladas por mês, o que pode elevar a produção em mais de 100 mil toneladas no trimestre. Os pós seguem padrão semelhante, com um acréscimo potencial de 50 a 60 mil toneladas mensais.

Os pós lácteos encontram saída no mercado externo, com demanda de exportação sólida aos preços atuais. Já os queijos enfrentam mais resistência. Expandir canais de exportação suficientes para absorver 100 mil toneladas adicionais parece improvável, o que tende a pressionar ainda mais os preços internos da UE.

A manteiga surge como o elo mais vulnerável. A concorrência dos Estados Unidos se intensifica, com preços de creme em queda para perto de €2.500, futuros pressionados na CME e o spot de manteiga atingindo mínima de cinco anos, a US$ 1,30. Chama atenção o fato de manteiga e leite em pó desnatado estarem negociando a níveis muito próximos no mercado norte-americano.

Otimismo psicológico versus fundamentos

O mercado permanece, assim, em um território desconfortável: sentimento otimista enfrentando fundamentos claramente negativos. Para Reijntjes, fatores psicológicos, a relutância em vender em mínimas históricas e a incerteza global alimentam argumentos dos compradores mais otimistas.

Na visão do analista, grandes cooperativas tendem a agir com cautela, esperando que compradores mais nervosos se aproximem. Já usuários finais seguem aproveitando para fixar preços em patamares historicamente baixos. Como lembra o consultor, é mais fácil justificar compras em excesso a preços baixos do que explicar a perda do fundo do mercado.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Get Fair Dairy

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta