Whey protein é um dos suplementos mais populares entre pessoas fisicamente ativas, mas a ideia de que ele funciona como um “pó mágico” — capaz de gerar resultados por conta própria — segue sendo um equívoco recorrente.
Especialistas ouvidos por veículos brasileiros reforçam que o consumo só faz sentido quando está alinhado a objetivos claros, alimentação adequada e, em muitos casos, orientação profissional.
Derivado do soro do leite, o whey protein é classificado como um suplemento alimentar cujo papel principal é complementar a ingestão diária de proteínas. Segundo o nutrólogo Gilmar Francisco, o produto ajuda a suprir dificuldades comuns da dieta moderna. “Todas as pessoas, independentemente de treinarem ou não, podem ter dificuldade em ingerir a quantidade de proteína necessária ao longo do dia. O whey protein é um aliado para atingir essa meta”, explica.
Isso não significa, porém, que exista uma dose padrão ou uma recomendação universal. A quantidade adequada varia conforme fatores como objetivo individual, nível de atividade física, metabolismo basal e composição corporal. De acordo com os especialistas, apenas uma avaliação personalizada permite definir se o suplemento é necessário e em que quantidade.
O nutricionista esportivo Henrique Spessotto reforça que o whey protein pode ser indicado para diferentes perfis. “Ele é composto basicamente pelo soro do leite, concentrado em proteína, e pode substituir porções de alimentos como frango, carne ou ovos. É uma opção prática para o dia a dia”, afirma. Essa praticidade explica por que o produto ganhou espaço em rotinas corridas, mesmo fora do universo das academias.
Ainda assim, os profissionais alertam para o uso indiscriminado e para combinações sem critério. Gilmar Francisco chama atenção para o que descreve como uma “salada de suplementos”. Segundo ele, não há problema em associar whey protein à creatina, mas a combinação com albumina, em muitos casos, não faz sentido do ponto de vista nutricional.
As restrições ao consumo também precisam ser consideradas. Pessoas com doença renal devem evitar o uso do suplemento, já que a sobrecarga proteica pode agravar o quadro. “Para quem não tem a doença, não há problema”, pondera Spessotto. Outro ponto de atenção envolve a intolerância à lactose. Nessas situações, o consumo aleatório pode provocar desconforto intestinal ou diarreia. A alternativa, segundo os especialistas, é optar pelo whey protein isolado, que apresenta teor mínimo ou inexistente de lactose e alto valor biológico.
Além do “se deve ou não usar”, uma das dúvidas mais comuns envolve o melhor horário para o consumo. A resposta, novamente, depende do contexto. Spessotto explica que não existe uma regra fixa. “O whey protein pode ser consumido antes ou depois do treino. Antes, o corpo costuma demandar mais carboidratos do que proteínas. Para quem busca hipertrofia, o uso antes pode ser interessante, mas tudo depende da última refeição e da rotina da pessoa”, orienta.
Essa abordagem relativiza a ideia de que o suplemento só funciona no chamado “pós-treino imediato”. Para os especialistas, o mais relevante é o total de proteína ingerido ao longo do dia, e não um horário específico. O suplemento entra como ferramenta para fechar essa conta, não como protagonista isolado.
A versatilidade do whey protein também contribui para sua popularidade. Ele pode ser usado em vitaminas, misturado com iogurte, frutas ou leite, e até incorporado a receitas consideradas “fitness”, como bolos e panquecas. Essa flexibilidade facilita a adesão, mas não elimina a necessidade de atenção à qualidade do produto.
A leitura da tabela nutricional é apontada como um critério central. Um whey protein de boa qualidade costuma apresentar cerca de 80% de proteína por porção — percentual que pode ser ainda maior nas versões isoladas. Spessotto destaca que a relação entre proteína e carboidrato é determinante. “Se há mais carboidrato do que proteína, o produto deixa de ser um suplemento proteico e passa a ser essencialmente calórico”, explica.
No fim das contas, o consenso entre os especialistas é claro: whey protein pode ser um aliado eficiente, mas não substitui uma alimentação equilibrada nem compensa hábitos inadequados. Usado com consciência, ele cumpre seu papel. Sem critério, perde o sentido — e o efeito.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Metropoles






