O investimento de US$ 15 milhões da Tregar reposiciona a empresa em um mercado lácteo argentino que atravessa reconfiguração estrutural.
A controladora García Hnos. destinará os recursos à ampliação de capacidade, modernização tecnológica e expansão de linhas produtivas em Santa Fe.
O plano prevê aumento de até 25% em algumas linhas e elevação do volume diário de processamento para até 1,3 milhão de litros de leite, ante os atuais 800 mil litros. O foco está na ampliação de iogurtes e leites, modernização da fabricação de queijos e cremes e otimização de processos industriais.
Segundo Rodrigo Alzueta, gerente geral, as melhorias tecnológicas permitem responder a novas exigências do mercado interno e internacional, com ganhos de eficiência e competitividade. A ampliação também tende a elevar níveis de serviço e acelerar respostas à demanda.
Hoje, cerca de 25% da produção da Tregar é destinada à exportação, com presença em mais de dez países, entre eles Brasil, Chile, China, Filipinas, Vietnã, Coreia do Sul, Rússia, Argélia e Peru, além de mercados na Ásia e África Ocidental. Parte do investimento mira o desenvolvimento adicional desses destinos e o reforço do posicionamento externo.
A estrutura industrial concentra-se em duas unidades na província de Santa Fe. Em Gobernador Crespo, está a principal planta, responsável pela maior parte do processamento de matéria-prima. Em Calchaquí, a cerca de 50 quilômetros, opera a unidade dedicada à produção de queijos.
O movimento ocorre enquanto o setor lácteo argentino passa por ajustes relevantes. A canadense Saputo vendeu 80% de sua operação local ao holding Gloria Foods, do Grupo Gloria, após revisar sua presença internacional. Entre julho de 2024 e junho de 2025, a empresa processou aproximadamente 1,3 bilhão de litros de leite no país, equivalente a 11,6% da produção industrial total.
A Mastellone Hnos. enfrenta desaceleração do consumo interno e pressões de custos, além de negociações em torno do controle societário entre os principais acionistas. Já a cooperativa SanCor está em concurso preventivo desde fevereiro de 2025 e acumula mais de 300 pedidos de falência. A empresa, que já processou mais de 3 milhões de litros diários em seu auge, opera hoje seis das 14 plantas que já teve.
Outras companhias também atravessam dificuldades. A Verónica mantém três plantas paralisadas em Santa Fe desde o início do ano, enquanto a Luz Azul reconheceu perda de rentabilidade.
Nesse contexto, o investimento da Tregar sinaliza uma estratégia de ganho de escala e eficiência operacional em um ambiente marcado por retrações produtivas e redefinições de controle no setor.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de El Cronista






