Clonagem animal já não é coisa de filme: no Brasil, ela ajudou a transformar uma vaca em um investimento de R$ 54 milhões.
A protagonista dessa história é a Nelore Donna FIV CIAV, vendida no Leilão Cataratas Collection, em Foz do Iguaçu, por um valor recorde. O cantor Murilo Huff adquiriu 25% do pacote genético, em parceria com outras empresas. Mas o que justifica um preço tão alto?
A resposta está na biotecnologia. Donna já deu origem a três clones. E é aqui que a clonagem animal entra como ferramenta estratégica do agronegócio.
O que é clonagem animal, afinal?
De forma simples, a clonagem animal cria um “gêmeo idêntico” nascido em outro momento. A técnica mais usada é a Transferência Nuclear de Células Somáticas. Funciona assim: os cientistas retiram o núcleo de uma célula do animal que desejam copiar e o colocam dentro de um óvulo sem material genético.
O embrião é desenvolvido em laboratório e depois implantado em uma vaca que irá gestar o clone.
O resultado é um animal geneticamente igual ao original, com as mesmas características produtivas e reprodutivas. No caso de uma Nelore de elite, isso significa preservar conformação, capacidade de produção de embriões e potencial de melhoramento genético do rebanho de corte.
Por que produtores investem milhões?
Na reprodução convencional, sempre existe imprevisibilidade. O bezerro pode herdar qualidades — ou não.
Com a clonagem, o criador reduz essa incerteza. É como contratar um seguro genético: as qualidades do animal excepcional são mantidas.
Isso permite multiplicar rapidamente indivíduos que já provaram valor no mercado. O rebanho tende a ficar mais uniforme, o retorno do investimento mais previsível e os riscos menores. Para quem trabalha com genética de alto padrão, essa previsibilidade faz diferença no lucro.
A lei que organizou o jogo
Em novembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.021/24, que regulamenta a produção, venda, importação e exportação de animais clonados no país.
A norma vale para animais domésticos de produção e também permite a clonagem de animais silvestres brasileiros, com autorização do Ibama. A fiscalização cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém um banco de dados público para garantir rastreabilidade total — da célula original ao nascimento do clone.
Cada animal precisa ser identificado e registrado, com controle sanitário rigoroso. A meta é assegurar transparência e segurança jurídica para criadores e investidores.
Ficção científica? Não mais.
A clonagem animal deixou de ser curiosidade de laboratório para se tornar instrumento de negócios. No Brasil, ela já movimenta cifras milionárias e posiciona o país como referência em biotecnologia aplicada à pecuária.
Se antes a pergunta era “isso é possível?”, hoje ela mudou: “quanto vale repetir o excepcional?”
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agro Estadão






