Rota do Queijo não é apenas um roteiro turístico: é o reconhecimento de histórias que começam dentro da porteira e chegam à mesa dos visitantes.
Em Jundiaí, uma dessas histórias tem aroma suave de queijo de cabra recém-curado e o brilho nos olhos de duas gerações.
Desde novembro de 2025, a queijaria Capril Capriolês integra a Rota dos Bandeirantes, uma das oito rotas criadas pelo Governo do Estado de São Paulo para valorizar produtores artesanais e impulsionar o turismo rural. Ao todo, a iniciativa reúne 102 produtores em 77 municípios paulistas.
À frente do negócio estão Dona Célia Storani e a neta Luísa. A avó aprendeu a fazer queijo ainda jovem, preservando receitas e técnicas que atravessaram gerações. Um dos impulsos veio de dentro de casa: a alergia ao leite de vaca de uma das filhas motivou a busca por alternativas, fortalecendo a produção com leite de cabra.
Hoje, a propriedade trabalha com 95 vacas das raças Jersey e Holandesa e 115 cabras Saanen e Parda Alpina, carinhosamente chamadas de “meninas”. Juntas, produzem cerca de 1,2 mil litros de leite por dia, transformados em queijos e derivados comercializados na região.
Do leite de vaca saem frescal, muçarela, parmesão, ricota e burrata. Já o leite de cabra dá origem a versões como requinte, pecorino, feta, colonial e boursin, além de formatos variados, como cabaças, nozinhos e tranças, com opções temperadas. Entre os destaques premiados estão o Boursin com azeite e pimenta rosa e o Requinte de Leite de Cabra.
A virada mais recente veio com Luísa. Formada em escolas na Itália e na França, ela assumiu papel estratégico na expansão da marca e hoje é vice-presidente da Associação Paulista do Queijo Artesanal. Trouxe novos rótulos, participação em eventos gastronômicos e visão de mercado. Enquanto Dona Célia domina a tradição, a neta questiona, testa e amplia horizontes.
O resultado é um modelo que combina afeto e estratégia. Para quem visita a rota, a experiência vai além da degustação. Há a conversa com a produtora, a explicação sobre a cura do queijo e o contato direto com os animais. O produto deixa de ser apenas alimento e passa a representar cultura, território e identidade.
Em um estado onde o agronegócio é potência econômica, histórias como essa mostram que a força do campo também está na produção artesanal e na conexão com o consumidor. Na Rota do Queijo, cada peça carrega técnica, memória e um pouco da vida de quem a produz.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrofy News






