Exportações lácteas do Cone Sul iniciam 2026 em modo seleção.
O recuo de preço médio e de volume não sinaliza retração estrutural. Sinaliza reposicionamento competitivo. A disputa deixa de ser quantitativa e passa a ser qualitativa.
Os números mostram dois movimentos distintos entre Argentina e Uruguai. Ambos reduzem intensidade. Mas fazem isso de maneiras diferentes.
🇦🇷 Argentina
Primeira quinzena de janeiro de 2026
Indicadores gerais
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Preço médio: USD 3.496,77/Ton
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Variação: -5,01%
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Volume exportado: 15.376,39 ton
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Variação volume: -3,70%
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Destinos: 33
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Variação destinos: -10,8%
Produtos
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Leite em Pó Integral: USD 3.447,53 | -4,71% | 5.345,81 ton
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Leite em Pó Descremada: USD 2.934,24 | -0,83% | 1.737,12 ton
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Queijo Semiduro: USD 3.959,70 | -1,48% | 3.897,76 ton
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Queijo Duro: USD 6.172,05 | +1,47% | 630,98 ton
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Manteiga: USD 4.844,75 | -2,19% | 1.029,71 ton
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ButterMilk: USD 2.400,00 | 0,00% | 75 ton
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Soro Permeado: USD 568,02 | +5,86% | 706,20 ton
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Soro D40%: USD 1.294,93 | +9,56% | 671 ton
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WPC 35%: USD 3.043,24 | +15,65% | 1.137,22 ton
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WPC 80%: USD 6.955,88 | +2,92% | 145,60 ton
Tese Argentina
Há retração agregada, mas há avanço claro no núcleo de maior densidade tecnológica. O salto de 15,65% no WPC 35% e de 9,56% no D40% indica que o valor está migrando para proteínas.
Ao mesmo tempo, a redução de destinos revela menor dispersão comercial. A Argentina inicia o ano mais concentrada e mais seletiva.
Quem depende fortemente de leite em pó integral enfrenta ajuste de preço. Quem tem capacidade de extrair proteína do soro encontra prêmio relativo.
O país começa 2026 reduzindo amplitude, mas defendendo margem em segmentos específicos.
🇺🇾 Uruguai
Primeira quinzena de fevereiro de 2026
Indicadores gerais
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Preço médio: USD 3.455,97/Ton
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Variação: -1,62%
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Volume exportado: 7.110,84 ton
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Variação volume: -16,8%
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Destinos: 32
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Variação destinos: +3,2%
Produtos
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Leite em Pó Integral: USD 3.547,99 | +5,00% | 5.890,66 ton
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Leite em Pó Descremada: USD 2.923,80 | -2,11% | 406,59 ton
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Queijo Semiduro: USD 4.829,37 | +7,80% | 87,63 ton
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Queijo Duro: USD 5.787,08 | +3,21% | 126,44 ton
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Manteiga: USD 5.174,80 | -4,37% | 135,95 ton
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ButterMilk: sem exportações
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Soro D40%: USD 1.353,83 | -1,88% | 463,56 ton
Tese Uruguai
O Uruguai reduz volume de forma mais intensa, mas preserva mercados e melhora preço em produtos estratégicos. A leite em pó integral sobe 5%. Queijos também avançam.
Aqui não há migração evidente para proteínas concentradas. Há sustentação do eixo tradicional de exportação com melhora relativa de preço.
É um movimento de estabilidade comercial com ajuste de escala.
Leitura de poder regional
A Argentina demonstra movimento de transição para maior densidade industrial. O Uruguai reforça competitividade na base tradicional.
Isso cria duas estratégias distintas no Prata:
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Argentina tenta capturar valor via proteínas e ingredientes.
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Uruguai defende preço em leite em pó integral e queijos.
Não é uma disputa por quem exporta mais toneladas. É uma disputa por quem captura mais valor por tonelada.
Se o padrão de valorização de proteínas continuar, a Argentina amplia vantagem em complexidade industrial.
Se o mercado priorizar volume e estabilidade em LPI, o Uruguai consolida posição.
O início de 2026 não aponta retração. Aponta reordenamento competitivo.
E o mix passa a ser mais decisivo que o volume bruto.






