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3 mar 2026
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Produção de leite histórica coincide com importações elevadas e queda de preços ao produtor 📊
Mesmo com recorde na produção de leite, o Brasil manteve déficit comercial de 2 bilhões de litros equivalentes 📉
Mesmo com recorde na produção de leite, o Brasil manteve déficit comercial de 2 bilhões de litros equivalentes 📉

A produção de leite brasileira alcançou um recorde histórico em 2025, com expansão estimada de 7,2% frente a 2024.

O avanço da oferta, porém, não se traduziu em melhora de renda no campo. Ao contrário, consolidou um cenário de sobreoferta que pressionou preços ao longo do ano.

Mesmo com redução de 4,2% nas importações, o volume externo permaneceu elevado e resultou em déficit comercial de aproximadamente 2 bilhões de litros equivalentes. O leite em pó manteve-se como principal item importado, reforçando a disponibilidade interna de lácteos.

O efeito foi direto no mercado doméstico. A partir de abril, o preço médio pago ao produtor passou a registrar quedas sucessivas. Em dezembro de 2025, o valor chegou a R$ 1,99 por litro, retração de 22,6% na comparação com os 12 meses anteriores, segundo dados do Centro de Inteligência do Leite.

No varejo, o ajuste foi mais moderado. A cesta de lácteos composta por leite longa vida, queijo, iogurte, leite condensado, leite em pó e manteiga registrou recuo de 3,62% ao consumidor. A diferença de intensidade entre campo e varejo evidencia compressão de margens na cadeia produtiva.

O contexto externo reforça a pressão. O mercado global iniciou 2026 com oferta elevada, impulsionada por aumentos de produção na Argentina e no Uruguai, que cresceram 7% e 8%, respectivamente, em 2025. Ainda assim, a expectativa é de expansão global mais moderada, diante de margens apertadas e incertezas geopolíticas envolvendo Venezuela, Irã e o Leste Europeu.

De acordo com avaliação da Embrapa Gado de Leite, os preços internacionais seguem baixos no início do ano. Movimentos recentes de alta no Global Dairy Trade são interpretados como correções pontuais, sem alterar estruturalmente o cenário de curto prazo.

No mercado interno, o valor pago ao produtor recuou para US$ 0,36 por quilo. Há, contudo, sinais de ajuste. O mercado spot começou a reagir, indicando possível recuperação gradual. Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar tende a tornar o produto importado mais competitivo, fator que pode limitar movimentos de alta.

Outros vetores oferecem algum suporte. A recuperação dos preços de bezerras e da arroba do boi amplia a renda com venda de novilhos e descarte de vacas. A aproximação da entressafra também influencia a formação de preços, com viés de recuperação.

No cenário europeu, o novo acordo entre blocos não aponta mudanças relevantes no curto prazo. Assim, o equilíbrio entre oferta interna, fluxo de importações e reação do consumo seguirá determinando o ritmo de ajuste ao longo de 2026.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Gazeta de Alagoas

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