ESPMEXENGBRAIND
4 mar 2026
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4 mar 2026
Parceria inclui genética, pesquisa e gestão para fortalecer o setor 🐄
Acordo foca em embriões, forragens e profissionalização do campo. Senegal
Acordo foca em embriões, forragens e profissionalização do campo 🌍

O Senegal reforça a cooperação com o Brasil na indústria de laticínios como parte de uma estratégia explícita para acelerar a autossuficiência e reduzir a dependência de importações.

O novo protocolo de acordo, anunciado pelo ministro da Agricultura Mabouba Diagne durante a Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural ICARRD+20, realizada de 24 a 28 de fevereiro em Cartagena, formaliza uma agenda técnica focada em genética, pesquisa e estruturação produtiva.

O eixo central da parceria está na cooperação científica entre a Embrapa e o Instituto Senegalês de Pesquisas Agrícolas. O objetivo é fortalecer capacidades locais por meio de intercâmbio técnico e aplicação de conhecimento em sistemas adaptados às condições tropicais. Paralelamente, será implementado um programa de transferência de embriões da raça Gir, reconhecida por seu alto potencial leiteiro.

Além da genética, o acordo prevê ações estruturais na cadeia. Estão contempladas parcerias público privadas para organizar o setor, desenvolvimento de culturas forrageiras e formulação de rações mais eficientes, treinamento em gestão de fazendas modernas e reforço da mecanização agrícola e pastoril. O foco desloca-se de iniciativas pontuais para um modelo de fortalecimento sistêmico, combinando produtividade animal com eficiência operacional.

A aproximação com o Brasil é apresentada como estratégica também pelo peso do país no cenário global. Dados compilados pela FAO indicam que o Brasil foi o quinto maior produtor mundial de produtos lácteos entre 2021 e 2023, com oferta média anual de 36,6 milhões de toneladas, atrás de Índia, Estados Unidos, Paquistão e China. A reputação brasileira em genética adaptada a regiões tropicais reforça o alinhamento técnico da cooperação.

No plano interno, o Senegal já subsidia desde 2017 a importação de bovinos de alto potencial produtivo. Em 10 de janeiro de 2026, o Ministério da Agricultura anunciou a chegada de 1.050 cabeças das raças Guzerá e Girolando, provenientes do Brasil, em parceria com o Grupo para o Melhoramento Genético e Pecuária Pastoral e Extensiva no Senegal. A nova fase do acordo amplia essa lógica, ao integrar pesquisa, reprodução e gestão.

O movimento ocorre em um contexto de pressão crescente das importações. Segundo a Agência Nacional de Estatísticas e Demografia, o volume importado de produtos lácteos passou de 28.973 toneladas em 2020 para 33.745 toneladas em 2024. No mesmo período, o valor dessas compras aumentou 34,3%, alcançando 65,73 bilhões de francos CFA, equivalentes a 118,2 milhões de dólares.

Para a cadeia láctea senegalesa, o desafio não é apenas aumentar produção, mas acompanhar o ritmo de expansão da demanda interna. A cooperação com o Brasil, ao combinar melhoramento genético, base forrageira, mecanização e gestão, sinaliza uma tentativa de atacar simultaneamente produtividade e eficiência estrutural. O resultado esperado é reduzir a lacuna entre oferta local e consumo, hoje ainda coberta por importações crescentes.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agencia Ecofin

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