ESPMEXENGBRAIND
10 mar 2026
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📉 Redução de milho, soja e energia alivia custos da produção de leite, mas queda mais forte no preço pago ao produtor pressiona a rentabilidade.
📊 Índice de custos da pecuária leiteira registra deflação no início de 2026, enquanto preço do leite ao produtor segue em retração.
📊 Índice de custos da pecuária leiteira registra deflação no início de 2026, enquanto preço do leite ao produtor segue em retração.

Os custos da produção de leite no Rio Grande do Sul iniciaram 2026 em queda, impulsionados principalmente pela redução nos preços de milho e soja, dois dos principais insumos utilizados na alimentação do rebanho.

O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), divulgado pela equipe econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, registrou recuo de 1,81% no início do ano, indicando um movimento de descompressão parcial na estrutura de custos da atividade.

A redução está diretamente ligada ao comportamento das commodities agrícolas que compõem a ração animal. Segundo o levantamento, a soja apresentou queda de 2,9% e o milho recuou 2% no período analisado. Esse movimento é atribuído ao avanço da colheita na região Centro-Oeste do Brasil e às expectativas de uma safra robusta, fatores que ampliam a oferta de grãos no mercado e pressionam as cotações para baixo.

Como a alimentação representa um dos componentes mais relevantes nos custos da pecuária leiteira, variações nos preços desses insumos têm impacto direto na rentabilidade das propriedades. A redução nos grãos, portanto, contribuiu para aliviar parte da pressão sobre os custos operacionais no início do ano.

Outro fator que ajudou a reduzir o índice foi a queda de 9,5% nos gastos com energia elétrica. O recuo tem impacto direto em propriedades com maior nível de mecanização, nas quais o consumo energético é elevado devido ao uso de equipamentos de ordenha e sistemas de resfriamento do leite.

Apesar da tendência de queda no índice geral, nem todos os insumos acompanharam o mesmo movimento. Fertilizantes e combustíveis registraram alta, com aumentos de 1,62% e 1,27%, respectivamente. Segundo a análise econômica do levantamento, esses aumentos estão associados ao encarecimento do frete, às oscilações nas cotações internacionais do petróleo e ao cenário geopolítico mais tenso no Oriente Médio, fatores que afetam diretamente os custos logísticos e agrícolas.

O comportamento do índice também acompanha movimentos observados em indicadores de inflação no atacado. No mesmo período, o IGP-DI da Fundação Getulio Vargas registrou variação de 1,10%, sinalizando um cenário de desaceleração de preços em determinados segmentos da economia. De acordo com os economistas responsáveis pelo levantamento, há correlação entre esses indicadores, sugerindo que a desinflação no atacado continua sendo transmitida para componentes relevantes da cesta de custos da produção leiteira, ainda que com pequena defasagem.

Mesmo com a redução nos custos de produção, o cenário econômico da atividade permanece desafiador para os produtores. Isso porque o preço pago pelo leite ao produtor caiu 24% nos últimos 12 meses, enquanto os custos de produção recuaram apenas 4,99% no mesmo período.

Essa diferença entre a evolução dos preços e dos custos pressiona a rentabilidade da atividade e limita a recuperação financeira das propriedades.

Além disso, o ambiente macroeconômico também influencia as decisões do setor. A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, permanece em 15% ao ano, patamar que impacta diretamente o custo do crédito rural, financiamentos e investimentos no campo.

Para os próximos meses, a expectativa ainda aponta para possível continuidade da queda nos preços do milho e da soja, o que poderia manter os custos de alimentação em níveis mais baixos. No entanto, analistas destacam que o cenário internacional permanece incerto, com fatores como tensões geopolíticas, oscilações no preço do petróleo e custos logísticos podendo voltar a pressionar os insumos ligados ao mercado global.

Assim, embora o início de 2026 apresente algum alívio nos custos da produção de leite, o setor ainda enfrenta um desafio central: recompor margens em um ambiente de preços ao produtor em retração.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal do Agronegócio

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