A produção de leite brasileira vive um novo momento. Com volume próximo de 33 bilhões de litros por ano, o país consolida sua posição entre os maiores produtores mundiais, mantendo o segundo maior rebanho leiteiro do planeta, atrás apenas da Índia, e ocupando a terceira posição no ranking global de produção.
Esse novo patamar reflete uma transformação estrutural da atividade. Depois de um período de estabilidade entre 2014 e 2024, a cadeia voltou a registrar um crescimento considerado recorde, impulsionado pelo avanço da produtividade, pela adoção de tecnologia e pela profissionalização das propriedades.
Segundo o produtor Roberto Young, o setor retomou taxas de expansão que não eram observadas desde a década de 1970. De acordo com sua avaliação, a produção voltou a crescer em níveis de 7% a 8% ao ano, resultado que marca uma nova etapa para a pecuária leiteira brasileira.
Ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade produtiva, a cadeia também passa por uma reorganização. Young estima que aproximadamente 200 mil produtores deixaram a atividade nos últimos dez anos, movimento que, em sua visão, acompanha um processo inevitável de profissionalização e aumento de escala observado também em outros países.
Apesar dessa redução no número de produtores, o desempenho das propriedades passou a depender menos do tamanho da área e mais da eficiência produtiva. Segundo ele, pequenas fazendas podem alcançar elevados índices de produtividade, chegando à faixa de 40 mil a 50 mil litros de leite por hectare por ano, demonstrando que ganhos de desempenho podem compensar limitações de área.
O cenário atual também difere do vivido nas décadas anteriores. Young lembra que o controle de preços existente até a década de 1990 limitava o desenvolvimento da atividade. Hoje, afirma, a maior liberdade de mercado oferece melhores condições para investimentos e para o crescimento das fazendas, favorecendo um ambiente de maior previsibilidade para quem busca aumentar a produtividade.
Atualmente, o Brasil reúne cerca de 300 mil produtores de leite, número inferior ao registrado em décadas passadas, porém composto por propriedades que, segundo Young, apresentam maior nível de profissionalização.
Nesse contexto, a qualificação técnica ganha importância crescente. Entre as iniciativas disponíveis estão os programas de capacitação oferecidos pelo sistema CNA/Senar, que incluem minicursos, assistência técnica e gerencial, além de cursos técnicos reconhecidos pelo MEC nas áreas de nutrição e manejo animal. O objetivo é preparar os produtores para elevar a produtividade dos rebanhos e aprimorar a gestão das propriedades.
O resultado é uma cadeia que amplia sua produção ao mesmo tempo em que modifica seu perfil produtivo. O crescimento do leite brasileiro deixa de ser explicado apenas pelo aumento do rebanho e passa a estar cada vez mais associado à eficiência, à tecnologia e à capacitação, fatores que sustentam a posição do país entre os maiores produtores mundiais.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Band






