O acordo com a União Europeia pode afetar negativamente o leite uruguaio ao não gerar benefícios diretos e, ao mesmo tempo, ampliar os desafios competitivos do setor.
A avaliação foi apresentada pela Associação Nacional de Productores de Leche após reunião com autoridades do governo, colocando o tema no centro da agenda estratégica da cadeia láctea.
O principal ponto de atenção está na relação comercial com o Brasil, historicamente um dos principais destinos dos produtos lácteos do Uruguai. Segundo o setor, esse mercado representa um diferencial relevante justamente pela vantagem tarifária frente a concorrentes. Com o novo acordo, essa condição pode se deteriorar, reduzindo a competitividade uruguaia em um destino considerado chave, ainda que atualmente apresente complexidades comerciais.
Do ponto de vista estrutural, o cenário reforça uma fragilidade já conhecida: a desvantagem tarifária em diversos mercados internacionais. O setor destaca que concorrentes diretos, como a Nova Zelândia, operam com uma rede ampla de acordos comerciais, o que lhes permite competir em melhores condições. Nesse contexto, a ausência de ganhos concretos no acordo com a União Europeia amplia a assimetria competitiva.
Além do impacto geral, há preocupação específica com segmentos sensíveis da cadeia. A produção de leite em pó pode sofrer efeitos negativos, mas o maior risco identificado está na queijaria artesanal. A abertura de um cupo de 30.000 toneladas de queijos é vista como um fator de pressão adicional, elevando a concorrência em um segmento onde o Uruguai possui produtos de alta qualidade, mas enfrenta a complexidade de acesso ao mercado europeu.
Apesar das críticas, o setor não se posiciona contra o acordo, mas enfatiza a necessidade de اقدامات complementares. A estratégia defendida passa por intensificar negociações internacionais que permitam alcançar condições mais equilibradas de competição. O foco está em evitar perda de espaço relativo e preservar a inserção internacional da produção láctea.
Nesse contexto, surge a Indonésia como uma oportunidade relevante. O mercado é descrito como deficitário em lácteos, produzindo apenas cerca de 30% do que consome, além de contar com iniciativas governamentais para estimular o consumo de leite. As conversas em torno desse destino foram consideradas positivas e indicam um possível caminho para diversificação comercial.
O quadro geral aponta para uma mudança no ambiente competitivo da lecheria uruguaia. Mais do que ganhos imediatos, o acordo com a União Europeia exige uma resposta estratégica, centrada na abertura de novos mercados e na adaptação a um cenário de maior concorrência internacional.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diario El Telégrafo






