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25 mar 2026
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📊 Exportações crescem, mas importações maiores ampliam o déficit em fevereiro.
Balança. Leite em pó lidera importações e sustenta desequilíbrio comercial
Leite em pó lidera importações e sustenta desequilíbrio comercial

A balança comercial de lácteos seguiu pressionada em fevereiro, mesmo com a recuperação das exportações.

O movimento central do mês foi claro: o avanço das compras externas superou o ganho nos embarques, ampliando o déficit e mantendo o Brasil dependente do mercado internacional para suprimento de derivados.

Os dados indicam que as exportações cresceram 17,32% em relação a janeiro, somando 5,04 milhões de litros em equivalente-leite (EqL). No entanto, esse avanço não foi suficiente para compensar o volume importado, que atingiu 182,03 milhões de litros EqL, com alta de 1,96% no mesmo comparativo. Como resultado, o déficit chegou a 177 milhões de litros EqL, 1,6% acima do mês anterior. Em valores, o saldo negativo foi de US$ 72,18 milhões, com leve aumento de 0,7%.

O que está puxando o déficit

O principal vetor do desequilíbrio continua sendo o leite em pó, que concentrou 79,7% das importações em fevereiro. O volume desse produto avançou 7,57% no mês, alcançando 145,11 milhões de litros EqL, mesmo com recuo de 2,4% no preço médio, para US$ 3,21/kg.

Já os queijos, responsáveis por 19,4% das compras externas, apresentaram comportamento distinto: queda de 16,83% no volume, mas com aumento expressivo de 21,6% no preço médio, chegando a US$ 8,29/kg. Esse movimento indica pressão de preços mesmo com retração nas quantidades.

Do ponto de vista de origem, Argentina, Uruguai e Paraguai lideraram o fornecimento ao Brasil, reforçando a dependência regional nas importações de lácteos.

Exportações: avanço concentrado e heterogêneo

Do lado das exportações, o crescimento foi puxado principalmente pelos queijos, que avançaram 28,88% e atingiram 2,01 milhões de litros EqL, representando 39,8% do total embarcado.

O leite condensado, por sua vez, respondeu por 17,2% das exportações, mas registrou queda de 30,73% frente a janeiro, somando 868,36 mil litros EqL. Esse contraste evidencia uma pauta exportadora ainda concentrada e com desempenho desigual entre categorias.

📊 Comércio exterior de lácteos (fev/26)

Indicador Resultado
Exportações (EqL) 5,04 milhões de litros
Importações (EqL) 182,03 milhões de litros
Déficit (EqL) 177 milhões de litros
Déficit (US$) 72,18 milhões
Principal importado Leite em pó (79,7%)
Destaque exportação Queijos (39,8%)

O dado mais relevante para o empresário é a persistência do déficit mesmo em um cenário de recuperação das exportações. Isso indica que o ajuste do mercado interno ainda não foi suficiente para reduzir a dependência externa, especialmente em categorias como leite em pó.

Ao mesmo tempo, a queda anual tanto das exportações (-18,13%) quanto das importações (-15,81%) e a redução do déficit em volume (-22%) na comparação com fevereiro de 2025 sugerem um mercado menos aquecido do que no ano anterior, mas ainda estruturalmente desequilibrado.

Na prática, o cenário combina três sinais:

  • demanda externa ainda limitada para produtos brasileiros
  • forte presença de importados no abastecimento interno
  • sensibilidade do mercado a preços internacionais

Isso reforça a necessidade de monitorar o comportamento das importações, especialmente de leite em pó, e sua influência direta sobre preços domésticos e competitividade industrial.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ano32_369_março_Boletim do Leite

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