ESPMEXENGBRAIND
24 jul 2026
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🥛 Após anos de margem apertada, produtores gaúchos voltam a lucrar com o preço do leite, mas Gadolando pede mais equilíbrio entre produtor, indústria e varejo.
🐄 Custo de produção gira em torno de R$ 2,20 a R$ 2,30, e a margem ainda é considerada insuficiente para sustentar a atividade leiteira no RS.
🐄 Custo de produção gira em torno de R$ 2,20 a R$ 2,30, e a margem ainda é considerada insuficiente para sustentar a atividade leiteira no RS.

O preço do leite voltou a dar fôlego ao produtor gaúcho depois de um período prolongado em que a atividade mal cobria seus próprios custos.

A recuperação, no entanto, divide opiniões dentro da cadeia: para as entidades que representam o campo, o novo patamar ainda está longe de ser suficiente para garantir investimento e estabilidade no longo prazo.

O sinal mais concreto dessa mudança está nos números do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite-RS), que projetou um valor de referência de R$ 2,4281 por litro para junho. Esse índice orienta as negociações entre produtores e indústrias, embora o valor final pago a cada propriedade varie conforme qualidade do leite, volume entregue e bonificações aplicadas pelos laticínios.

Na prática, segundo o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, a maior parte dos produtores está recebendo entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro. Como o custo de produção gira em torno de R$ 2,20 a R$ 2,30, existe hoje uma margem positiva — modesta, mas real, depois de um longo intervalo sem folga financeira nenhuma.

“A grande maioria dos produtores está recebendo entre R$ 2,50 e R$ 2,70. O custo de produção está em torno de R$ 2,20 a R$ 2,30 por litro de leite. Agora está tendo uma pequena margem, enquanto nós viemos muito tempo sem margem”, resume Tang.

Ainda assim, o dirigente é cauteloso ao avaliar o momento. Para ele, um preço de referência próximo a R$ 2,80 por litro representaria uma remuneração mais compatível com a realidade de custos da produção, sem que isso pressionasse o consumo do produto nas gôndolas.

A leitura da Gadolando é que o espaço de diálogo entre os elos da cadeia já avançou nos últimos anos, sobretudo por meio das reuniões do Conseleite, onde produtores e indústrias discutem diretamente a formação dos preços de referência. O problema, segundo Tang, é que essa mesa de negociação segue incompleta.

Falta, na visão da entidade, a presença do varejo nessas discussões. Para o dirigente, ampliar essa participação ajudaria a distribuir de forma mais equilibrada os efeitos das oscilações de mercado, hoje concentrados principalmente sobre quem produz.

“No Conseleite, a indústria e o produtor conseguem sentar juntos e debater, mas sentimos falta de discutir também com o varejo para amenizar os efeitos das crises, para todo mundo poder trabalhar junto e manter a cadeia”, afirma Tang.

Por trás do argumento está uma ideia simples: se a cadeia do leite funciona como um sistema interligado, também as responsabilidades — tanto nos momentos de alta quanto nos de retração — deveriam ser compartilhadas entre produção, indústria e varejo. Para a Gadolando, esse é o caminho necessário para transformar a recuperação atual em estabilidade duradoura, e não apenas em um respiro pontual depois de anos difíceis.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornal Tradição Regional

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