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24 jul 2026
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📈 Cientistas identificaram que vacas têm parceiras preferenciais e que a amizade influencia diretamente o bem-estar do rebanho.
Estudo da University of Northampton revela que o isolamento social eleva os batimentos cardíacos das vacas.
Estudo da University of Northampton revela que o isolamento social eleva os batimentos cardíacos das vacas.

No meio do pasto, nem sempre o que parece um simples aglomerado de vacas é aleatório. Muitas delas estão ali, lado a lado, porque escolheram estar.

Vacas também têm melhores amigas — e a ciência já comprovou isso com dados fisiológicos que vão muito além da observação casual do comportamento animal.

A descoberta vem de uma tese de 2013 assinada por Krista Marie McLennan, conduzida no âmbito de um estudo da University of Northampton. A pesquisadora acompanhou cerca de 400 bovinos com o objetivo de entender como as relações preferenciais entre os animais afetam o bem-estar do rebanho e como o isolamento social interfere nesse equilíbrio.

O que os testes práticos mostraram foi consistente: as vacas passam a maior parte do tempo de pastejo próximas a parceiras específicas. Não é uma companhia qualquer — é uma preferência que se repete e se sustenta ao longo do tempo, funcionando como um fator direto de redução do estresse diário e de melhora da saúde emocional do grupo.

O contraponto dessa descoberta aparece justamente quando essas duplas são desfeitas. Ao serem isoladas repentinamente de suas parceiras, as vacas apresentam um aumento expressivo no ritmo cardíaco. A reação não para por aí: surgem vocalizações angustiadas, uma espécie de apelo constante, além de tentativas claras de fuga do local onde foram deixadas sozinhas.

O corpo do animal também responde de outras formas ao estresse. Os pesquisadores observaram aumento de movimentos repetitivos e tensos, e uma redução perceptível na ruminação — processo digestivo que é diretamente afetado quando o estresse se prolonga. Já quando a vaca está acompanhada de sua parceira preferida, esse quadro se inverte: o organismo libera menos hormônios do estresse, como o cortisol, e o animal se mantém fisiologicamente mais estável.

Essa estabilidade emocional não é um detalhe isolado. Segundo o estudo, a manutenção de laços sociais consistentes ao longo do tempo ajuda a consolidar uma estrutura hierárquica mais pacífica dentro do rebanho, reduzindo disputas por recursos essenciais. Isso significa menos comportamentos agressivos e mais garantia de que até os animais mais submissos tenham acesso adequado à nutrição, sem sofrer perseguições constantes de outros membros do grupo.

Há ainda um efeito que se estende ao sistema imunológico. De acordo com a pesquisa, animais criados em ambientes que favorecem essas conexões afetivas apresentam menor propensão a doenças infecciosas — o que, na prática, se traduz em menos intervenções médicas e menos custos para quem cuida do rebanho.

Esses achados têm implicações diretas para quem trabalha com manejo de gado leiteiro. O estudo aponta que evitar a separação abrupta de parceiras já consolidadas ajuda a manter o rebanho mais calmo, o que se reflete em melhor conversão alimentar e menor incidência de problemas clínicos. Já a divisão aleatória de lotes, sem considerar essas preferências, tende a comprometer o manejo racional e a coesão social que sustenta o bem-estar dos animais.

A pesquisa também chama atenção para o papel da infraestrutura no dia a dia do rebanho. Instalações pensadas para favorecer a proximidade visual e tátil entre as parceiras durante as ordenhas diárias fazem parte das recomendações que emergem desse conhecimento — um detalhe de design que, segundo o estudo, pode impulsionar práticas mais sustentáveis no setor.

No fim, o que a tese de McLennan e o trabalho da University of Northampton deixam claro é que a vida emocional das vacas é mais complexa do que costuma ser reconhecida.

Amizades entre bovinos não são um capricho da observação humana: são vínculos mensuráveis, com efeitos concretos sobre o coração, o comportamento e a saúde de cada animal — e, por extensão, sobre todo o rebanho.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Olhar Digital

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