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31 mar 2026
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📉 Após queda de 4,49% no ano, custos de produção do leite devem subir com petróleo, fertilizantes e soja mais caros.
⚠️ Guerra no Irã pode inverter tendência de queda nos custos e ampliar pressão sobre margens do produtor
⚠️ Guerra no Irã pode inverter tendência de queda nos custos e ampliar pressão sobre margens do produtor.

Os custos de produção do leite, que vinham em trajetória de queda no início do ano, devem sofrer uma reversão já em março, segundo avaliação da equipe econômica da Farsul.

A mudança de direção ocorre após um período de deflação acumulada de 4,49%, impulsionada principalmente pela redução nos preços de insumos estratégicos.

Em fevereiro, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul recuou 2,7%. O movimento foi liderado pela queda nas cotações da soja e do milho, com reduções de 4,2% e 2,4%, respectivamente. Esses dois componentes têm peso direto na estrutura de custos, especialmente na produção de silagem e no uso de concentrados.

Outros itens relevantes também contribuíram para o alívio. Fertilizantes registraram queda de 1,72%, combustíveis recuaram 0,37% e a energia apresentou retração de 6,7%, influenciada por fatores sazonais. O conjunto desses movimentos consolidou um processo desinflacionário que vinha sendo repassado aos principais componentes da cesta de insumos.

Apesar desse cenário de custos mais baixos, a dinâmica econômica da atividade permaneceu desfavorável. O principal fator é o descolamento entre custo e receita. Nos últimos 12 meses, o custo de produção caiu 7,7%, enquanto o preço recebido pelo produtor recuou 20%. Essa diferença ampliou a compressão de margens e deteriorou as relações de troca.

Ao longo da cadeia, o ajuste também foi evidente. A retração no preço ao produtor foi acompanhada por deflação de 5,08% no IPCA de leite e derivados, indicando repasse até o varejo. Ainda assim, o alívio nos insumos não foi suficiente para compensar a queda mais acentuada da receita, mantendo o ambiente operacional pressionado.

Esse equilíbrio tende a se deteriorar novamente com a mudança no cenário externo. A expectativa da Farsul é de que os custos de produção do leite voltem a subir, interrompendo a trajetória de queda observada até então. O principal vetor dessa inflexão são os choques geopolíticos associados à guerra no Irã.

A escalada nas cotações do petróleo deve impactar diretamente os combustíveis, com destaque para o óleo diesel, insumo crítico para a atividade. Paralelamente, o segmento de fertilizantes passa a apresentar viés de alta, refletindo a relevância da região em conflito na oferta global desses produtos.

Outro fator de pressão é a valorização recente da soja, que tende a elevar o custo da alimentação animal, um dos principais componentes da estrutura produtiva. A combinação desses três elementos cria um novo ambiente de custos, menos favorável ao produtor.

O resultado é uma mudança relevante na leitura de mercado. Após um período de alívio, a cadeia láctea volta a enfrentar pressão nos custos sem sinais, no mesmo ritmo, de recuperação nos preços ao produtor. Esse descompasso mantém o foco na gestão de eficiência e no monitoramento dos principais insumos, agora sob influência direta do cenário internacional.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Correio do Povo

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