A cadeia do búfalo em Sarapuí (SP) passou por uma reestruturação que elevou o valor pago ao produtor de R$ 3,20 para R$ 13,20 por litro, alterando de forma direta a dinâmica econômica da atividade local.
O movimento desloca o foco da venda de matéria-prima para a agregação de valor, com impactos sobre renda, previsibilidade e organização produtiva.
O principal vetor da mudança foi a reorganização da produção com incentivo à industrialização. Em vez de depender exclusivamente da comercialização do leite cru, os produtores passaram a transformar a matéria-prima em derivados como iogurte, queijo e requeijão. Essa transição permitiu capturar maior valor por litro e reduzir a exposição aos preços pagos por laticínios.
A estratégia envolve mais de 107 famílias, com cerca de 500 pessoas diretamente ligadas à atividade. A escala coletiva foi acompanhada por medidas institucionais que viabilizam a formalização e a comercialização. A criação do Serviço de Inspeção Municipal e a legalização de cozinhas rurais ampliaram o acesso dos produtores ao processamento e ao mercado, removendo barreiras operacionais para a agregação de valor.
Outro elemento central do modelo é a atuação da própria prefeitura como compradora. A incorporação de derivados de leite de búfala na merenda escolar e em programas sociais cria uma demanda estável e previsível, reduzindo a volatilidade de receita. Esse mecanismo conecta produção e consumo dentro do próprio município, encurtando a cadeia e fortalecendo o mercado local.
Do ponto de vista da gestão, o objetivo declarado foi diminuir a dependência dos produtores em relação aos preços definidos por terceiros e construir um ambiente de maior estabilidade econômica. Com renda mais alta e previsível, a atividade ganha capacidade de retenção de famílias no campo, o que também é apontado como um efeito direto do modelo.
A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos atua no suporte técnico e na organização da cadeia, contribuindo para a qualificação dos produtos e para o fortalecimento da atividade como alternativa de renda. A articulação entre gestão pública e produtores aparece como um dos pilares do resultado observado.
Em termos de capacidade produtiva, o município destinou R$ 500 mil, com recursos do governo do Estado de São Paulo, para a implantação de uma queijaria vinculada à cooperativa local. O investimento amplia a estrutura de industrialização e comercialização, consolidando a estratégia de captura de valor dentro da própria cadeia.
O caso de Sarapuí evidencia um redesenho da lógica produtiva, no qual a renda deixa de estar concentrada na venda de leite in natura e passa a ser construída ao longo da cadeia. A combinação entre organização produtiva, instrumentos regulatórios locais e mercado garantido altera o posicionamento do produtor, com impacto direto sobre preço, escala e sustentabilidade da atividade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Compre Rural






