Um em cada cinco litros de leite em Minas passa por cooperativas, mas o desafio é manter quem produz
O cooperativismo ocupa uma posição cada vez mais relevante na cadeia do leite em Minas Gerais. Atualmente, um em cada cinco litros produzidos no estado passa por cooperativas, um indicador que evidencia o peso dessas organizações em uma atividade que enfrenta pressões crescentes sobre sua rentabilidade e sua capacidade de manter produtores na atividade.
Líder nacional na produção de leite, Minas Gerais reúne 216 mil propriedades dedicadas à atividade. Ao mesmo tempo, o setor convive com desafios que vão além da porteira. Custos elevados com ração, suplementação animal, logística e carga tributária se somam a um ambiente de concorrência cada vez mais intenso com produtos importados.
Segundo representantes do setor, o aumento da entrada de leite e derivados estrangeiros no mercado brasileiro ocorre em um contexto considerado desigual pelos produtores nacionais. A avaliação é que países vizinhos contam com mecanismos de incentivo à exportação e benefícios que não encontram equivalência no ambiente de negócios brasileiro, ampliando a pressão sobre a competitividade da produção local.
Os impactos desse cenário já aparecem na estrutura produtiva. Dados citados pelo Sistema Ocemg mostram que o número de pecuaristas que comercializavam leite caiu 32% entre os dois últimos Censos Agropecuários. Em Minas Gerais, quase 29 mil produtores deixaram a atividade no período.
É nesse contexto que as cooperativas ampliam sua importância dentro da cadeia. Além da captação e da industrialização do leite, essas organizações passaram a desempenhar funções consideradas estratégicas para a permanência dos produtores no setor. Assistência técnica, acesso ao crédito, iniciativas voltadas ao aumento da produtividade e ações de agregação de valor ao produto estão entre os serviços oferecidos.
A discussão sobre competitividade também ganhou uma dimensão mais ampla. Para lideranças cooperativistas, aumentar a produção, isoladamente, não resolve os desafios do setor. O foco passa por fatores como melhoramento genético, qualidade do leite, conforto animal, financiamento e construção de novas fontes de renda dentro das propriedades.
Essa visão reflete uma preocupação crescente com a sustentabilidade econômica da atividade. Em um ambiente marcado por oscilações de mercado e custos elevados, a capacidade de gerar renda consistente tornou-se tão importante quanto o acesso ao crédito.
O avanço do cooperativismo em Minas Gerais revela, portanto, uma dupla realidade. De um lado, as cooperativas consolidam sua presença e ampliam sua atuação em diferentes etapas da cadeia. De outro, a redução do número de produtores mostra que o principal desafio do leite continua sendo preservar a viabilidade econômica de quem permanece produzindo. O fato de um em cada cinco litros passar por cooperativas demonstra a força desse modelo, mas também evidencia a dimensão da tarefa de manter ativa a base produtiva que sustenta toda a cadeia.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Mundo Coop






