ESPMEXENGBRAIND
24 abr 2026
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Planta na França abastece 90 países e reduz gás com biogás ♻️
Hub global
Resíduos internos viram energia em hub exportador de sorvetes 🔄

O hub global de sorvetes operado por uma unidade da General Mills em Arras, na França, revela uma lógica industrial que desloca o foco da proximidade ao mercado para a qualidade da matéria-prima e a eficiência energética.

A planta abastece mais de 90 países fora dos Estados Unidos, Canadá e Japão, consolidando-se como eixo central de produção e estratégia.

A escolha da localização não responde prioritariamente à logística de distribuição, mas à estabilidade da nata. A produção de sorvetes premium depende de parâmetros consistentes de gordura, extrato seco, cor e sabor.

Esses atributos começam no leite e são condicionados por clima, frescor e processamento. Na região de Arras, o equilíbrio climático favorece o crescimento de pastagens e contribui para menor variabilidade na composição da nata, elemento crítico para padronização industrial ao longo do ano.

Essa lógica se apoia em uma integração territorial curta. O leite provém majoritariamente de fazendas em um raio de 50 a 100 km. A matéria-prima é transformada localmente em nata e, em seguida, direcionada à fábrica para processamento em diferentes formatos, como potes, mini porções e produtos em palito.

O resultado é um sistema que combina controle de qualidade, previsibilidade e eficiência logística.

No plano operacional, a descarbonização deixa de ser um discurso e passa a ser um conjunto de alavancas concretas dentro da planta. A matriz energética atual combina 75% de eletricidade, integralmente renovável desde 2021, e 25% de gás. O foco estratégico está na redução do consumo de combustíveis fósseis e no avanço em direção à autossuficiência.

Entre 2023 e 2025, foram implementados projetos que reconfiguram o uso de energia e resíduos. Um sistema de tratamento de água gera biogás a partir de efluentes. Bombas de calor capturam energia residual dos sistemas de refrigeração para aquecer água utilizada na limpeza. Uma caldeira dual permite operar com gás natural e biogás. E um segundo biodigestor amplia a capacidade de processamento de resíduos orgânicos, incluindo frações líquidas e pastosas.

A lógica central é circular: os resíduos internos alimentam o sistema energético. Não há aquisição externa de insumos para manter os biodigestores em operação, mesmo em cenários de parada programada. Isso estabelece um modelo de autossuficiência ancorado na própria atividade industrial.

Os resultados operacionais são imediatos. No primeiro ano, o consumo de gás natural foi reduzido de forma significativa, com queda relevante na demanda total. Atualmente, o biogás cobre cerca de 90% das necessidades de gás da planta, próximo do limite técnico viável dentro das condições operacionais definidas.

O caso evidencia uma mudança de abordagem relevante para a cadeia láctea. A competitividade não se constrói apenas na escala ou no acesso a mercados, mas na capacidade de controlar variáveis críticas da matéria-prima e de transformar eficiência energética em vantagem estrutural.

A planta de Arras opera, assim, não apenas como unidade produtiva, mas como plataforma integrada de qualidade, eficiência e descarbonização.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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