ESPMEXENGBRAIND
30 abr 2026
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🧀 Um queijo nascido na pandemia leva Curitiba ao pódio mundial e mostra o potencial da produção local com identidade própria.
Entre milhares de concorrentes, queijo curitibano conquista jurados e amplia visibilidade do Brasil no mapa global.
Entre milhares de concorrentes, queijo curitibano conquista jurados e amplia visibilidade do Brasil no mapa global.

Às vezes, tudo começa com um excesso inesperado — e termina em um prêmio internacional. A queijaria de Curitiba acaba de provar isso ao conquistar espaço no cenário global com um produto que nasceu de forma simples, quase casual.

A Queijaria Vaca Profana, localizada em Santa Felicidade, colocou o nome da cidade no pódio durante o 4º Mundial de Queijos no Brasil, realizado em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril. O evento reuniu cerca de 2.700 queijos e produtos lácteos de diversos países, avaliados por um júri de 300 especialistas nacionais e internacionais.

O destaque foi o queijo “Novelinho da Vovó”, que garantiu medalha de prata. Inspirado no tradicional queso Oaxaca mexicano, o produto tem massa fresca e filada e aposta em um elemento difícil de medir, mas fácil de reconhecer: memória afetiva. Criado pela queijeira Maristela Dalla Lasta em homenagem aos netos, o queijo traduz um vínculo emocional que acabou conquistando também os jurados.

A conquista não veio isolada. O mesmo produto já havia recebido medalha de prata no Prêmio Queijo Brasil no ano anterior, consolidando uma trajetória consistente dentro do segmento artesanal.

O que torna a história ainda mais interessante é sua origem recente. A queijaria nasceu durante a pandemia, quando Maristela, ex-publicitária, buscava alternativas de renda. Inicialmente, vendia potes de temperos — entre eles, coalhada de kefir. O volume crescente do insumo levou à decisão de produzir queijo, iniciando uma jornada que rapidamente evoluiu de experimento doméstico para operação estruturada.

Com mais de dez cursos realizados, uso exclusivo de insumos naturais e vínculo com a AproQueijo PR, a produtora passou a desenvolver uma linha com identidade própria. Entre os destaques está o queijo “041”, feito com leite cru, fermentos autóctones e mofos selvagens, com maturação de 30 dias e perfil sensorial que combina notas frutadas, minerais e textura amanteigada.

A performance da queijaria curitibana chama atenção não apenas pelo prêmio, mas pelo contexto competitivo. Países com tradição consolidada — como França, Suíça, Itália, Reino Unido e Estados Unidos — estavam entre os concorrentes, elevando o nível técnico da disputa.

O reconhecimento reforça uma tendência relevante: o avanço da produção artesanal urbana com identidade territorial e proposta autoral. Mais do que competir em volume, iniciativas como essa operam com diferenciação, narrativa e valor agregado — elementos cada vez mais valorizados tanto por consumidores quanto por mercados especializados.

Sem grandes estruturas industriais, mas com posicionamento claro, a queijaria de Curitiba demonstra que escala e relevância podem seguir caminhos distintos. E, às vezes, um produto criado “por acaso” pode encontrar seu lugar entre os melhores do mundo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário Indústria & Comércio

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