A cadeia leiteira de Santa Catarina começou a avançar nesta semana na construção de uma entidade estadual voltada à representação dos produtores de leite.
O movimento reúne sete associações regionais do Grande Oeste catarinense e surge em um momento em que o setor tenta enfrentar oscilações de preços, ampliar coordenação institucional e discutir estratégias para sustentar a rentabilidade da atividade.
O encontro foi realizado na sede da AMOSC, em Chapecó, reunindo prefeitos, vice-prefeitos, secretários de Agricultura, produtores e representantes de entidades regionais do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense.
A proposta inicial apresentada durante a reunião foi a criação do Fórum Interassociativo da Cadeia Leiteira, concebido como primeiro passo para estruturar uma representação estadual dos produtores. A iniciativa pretende ampliar o diálogo institucional e organizar ações conjuntas diante dos desafios enfrentados pela atividade.
Além da construção política da representação, o debate esteve fortemente concentrado na situação econômica da cadeia leiteira. Entre os temas discutidos apareceram a volatilidade dos preços pagos ao produtor, os custos de produção e a necessidade de maior alinhamento entre os diferentes segmentos do setor.
Durante a reunião, dados apresentados pelo assistente de pesquisa e mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer, reforçaram o peso da atividade leiteira para Santa Catarina e para o Brasil. Segundo os números apresentados, o Brasil ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores de leite do mundo, respondendo por cerca de 4% da produção mundial e por 55% da produção da América do Sul.
No cenário nacional, Santa Catarina aparece como o quarto maior produtor de leite do país, com participação aproximada de 9% da produção brasileira. O levantamento também apontou crescimento da produção nacional entre 2024 e 2025.
Ao mesmo tempo em que destacou a expansão da cadeia leiteira no Grande Oeste catarinense, Kretschmer alertou para o risco de nova pressão sobre os preços nos próximos meses com o avanço da oferta de produção. A avaliação apresentada durante o encontro reforçou a necessidade de maior coordenação entre produtores, lideranças e indústrias.
Segundo ele, o setor precisa ampliar as discussões sobre custos de produção, alinhamentos internos e estratégias para estimular o consumo de leite e derivados em Santa Catarina. O crescimento da atividade, na visão apresentada durante o encontro, exige mais organização coletiva e mecanismos permanentes de diálogo.
A construção da futura entidade estadual deverá avançar nos próximos meses com reuniões regionais, formação de grupos técnicos e levantamento de dados da cadeia leiteira. Representantes provisórios já foram definidos em cada associação regional para conduzir as articulações locais e reunir demandas dos produtores.
Entre as lideranças presentes no encontro, a preocupação mais recorrente foi a dificuldade de planejamento diante das constantes oscilações do mercado. Para representantes municipais e produtores, a ampliação da representatividade estadual pode aumentar a participação dos produtores nas discussões sobre preços, custos e comercialização.
O movimento também busca fortalecer a integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva e criar um espaço permanente de articulação entre municípios, produtores, técnicos e entidades ligadas ao agro catarinense.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário do Iguaçu






